State of Green Business 2020

Em complemento à visão dos riscos, apesar de serem dois documentos desconectados a princípio, o GreenBiz 2020 apresentou o relatório “State of Green Business 2020″, no qual apresenta as 10 maiores tendências para o mercado da sustentabilidade em 2020, bem como relata os maiores avanços ao longo dos anos com base em indicadores claros de desempenho em sustentabilidade. Este mercado está crescendo bastante e gerando inovações em vários campos.

A crescente relevância dos riscos associados à gestão das emissões de gases de efeito estufa tem gerado respostas diversas aos desafios de reduzir as emissões, reduzir riscos e gerar novas oportunidades de mercado.

Neste relatório o pessoal do GreenBiz relaciona dez tendências a serem observadas no ano de 2020 e que terão impacto sobre as estratégias das empresas e cadeias produtivas. Faremos um pequeno resumo, porém indicamos a necessidade da leitura do material completo.

  1. Poseidon Principles – O comércio global é feito por navios de grande porte e estima-se que cerca de 3% das emissões globais de Gases de Efeito Estufa estão associadas à logística necessária para a globalização dos mercados. Atentas a este cenário, as empresas de transporte marítimo concordaram em estabelecer os Princípios de Poseidon. De acordo com tais princípios, será necessário investir pesadamente em eficiência de motores, gerando pesquisa e inovação, logística avançada com base nos cálculos das rotas mais eficientes, usando as tecnologias da informação, gerando oportunidades de financiamento do retrofitting de navios antigos, novas estruturas integradas de distribuição, dentre outros. A International Maritime Organization (IMO) estabeleceu a meta de redução de 50% das emissões até 2050, o que resulta que cada navio deveria reduzir suas próprias emissões em 85%. O tamanho do desafio resulta em investimentos em P&D, desenho de melhores máquinas e, considerando o poder da indústria, uma efetiva redução de emissões.
  2. Nature-Based Solutions – A adoção de soluções naturais para reduzir emissões e impactos ambientais tem sido o foco de grandes empresas globais. Envolve usar o potencial de serviços ecossistêmicos para resolver os grandes desafios globais relacionados à emissões de Gases de Efeito Estufa e reduzir os riscos de crises hídricas. Dentre os exemplos já em adoção temos o plantio de árvores em quantidade na China, formando uma muralha verde e reduzindo o risco de desertificação, a renaturalização de margens de rios na Europa, a redução da velocidade de desertificação em países da África. A economia da recuperação ambiental torna-se mainstream, e dentre as iniciativas estão a gestão de bacias hidrográficas, o reflorestamento, a arborização de cidades e a recuperação de áreas degradadas.
  3. Logística de distribuição local – transição para os veículos elétricos e outras opções logísticas de baixo carbono ocupam um local privilegiado para a redução de emissões e outros impactos ambientais associados às cidades. Em cidades onde as crises já são bastante sentidas, como as grandes cidades da China, a transição para os transportes elétricos ocorre em passo acelerado, bem como nas cidades da Europa. Empresas de logística e distribuição tem olhado para as inovações visando reduzir suas externalidades relacionadas ao uso de combustíveis fósseis e estão levando esta ação à frente.
  4. Empresas especialistas em remover o excesso de CO2 da atmosfera – O uso de tecnologias para remover ativamente grandes quantidades de CO2 da atmosfera capturando-o por meio de técnicas regenerativas de solos degradados e em biomassa tem crescido bastante. Grandes empresas tem exigido a compensação de suas emissões em projetos de incorporação de carbono em biomassa e este mercado para áreas degradadas apresenta uma tendência interessante, especialmente para países como o Brasil, cujas metas para redução e recuperação incluem 12 milhões de hectares de florestas.
  5. Reportes sobre os riscos físicos das mudanças climáticas exigem das empresas novos modelos para avaliação. O TCFD – Task Force On Climate-Related Disclosure – tem exigido das empresas que quantifiquem o risco físico, bem como os custos de transição e a elaboração e publicação de cenários. Esta publicação de cenários tem sido usada por investidores para estimar o valor das empresas e as perdas potenciais e já relacionadas às mudanças climáticas. À medida em que avançam os efeitos das mudanças climáticas, como as crises severas ocorridas em 2019, a régua de risco e atratividade das empresas tende a mudar. A incorporação do valor do carbono nas atividades das empresas alteram, inclusive, a viabilidade de investir-se ou não em determinados setores que serão potencialmente afetados pela avaliação de risco-retorno de investidores.
  6. Ativismo ambiental pelos funcionários das empresas, incluindo CEOs, comitês de administração e comitês diretores – As pressões para adotar o propósito ambiental nas atividades das empresas tem sido efetivas para mudar processos produtivos, bem como envolver os empregados das empresas nas inovações relacionadas ao tema. Um exemplo claro é o green bond emitido pela Apple para financiar a sede em Santa Clara.
  7. Retrofitting de edifícios para torná-los 100% sustentáveis em termos de energia. Estima-se que 40% das emissões de gases de efeito estufa tenha por origem os edifícios e que metade dos edifícios comerciais existentes sejam de antes de 1980. Este fator abre um grande mercado para os green buildings, com atualizações tecnológicas que necessitarão grandes quantidades de modelos financeiros para viabilizar a emissão zero. A regulação pode ser uma grande pressão adaptativa para a atualização tecnológica, gerando um novo mercado.
  8. A economia circular torna-se cada vez mais mensurável com o avanço das técnicas em ecologia industrial. A quantificação dos fluxos materiais e de energia nas economias nacionais, regionais e locais aponta os gaps de atuação e as necessidades de adoção de políticas, planos e programas específicos. Nas empresas os processos produtivos são desenhados para promover o máximo de eficiência material e energética possível e reduzir o impacto sobre o meio ambiente e em termos de produto a Avaliação de Ciclo de Vida aponta os melhores materiais e alternativas tecnológicas para gerar mais eficiência e sustentabilidade. Todos estes processos assentados em técnicas que promovem a identificação de fontes de recursos, o design de produtos, a incorporação do descarte e reaproveitamento neste design, a adoção de infraestrutura específica para desmontar e destinar os componentes, com a consequente mudança nas relações entre fornecedores, consumidores, acionistas e colaboradores nas empresas.
  9. Alternativas para fontes de proteínas animais “não animais”. Antecipando o impacto que a afluência terá sobre o consumo de proteína animal por países em todo o mundo e o impacto ambiental da produção desta proteína, diversas start-ups tem desenvolvido a bioengenharia e a engenharia de alimentos sintéticos. As grandes cadeias globais de alimentos já olham para este mercado e já testam produtos, com a expectativa de substituir em 10 anos cerca de 10% do mercado de proteína animal pela proteína sintética. Em estimativas do consumo de proteína sintética em 2019 chegou-se ao número de 228 milhões de unidades servidas nos EUA, com grande potencial para expansão.
  10. Relato em Sustentabilidade Corporativa – Uso de inteligência artificial para monitorar informações sobre as empresas e disponibilizá-las para investidores e demais partes interessadas é parte da evolução do tema neste ano. As empresas e suas políticas de compliance e disclosure ficaram ainda mais expostas ao escrutínio das partes afetadas pelas suas atividades e precisarão melhorar seus indicadores de desempenho ASG e reportá-los praticamente em tempo real, com os riscos associados à perda de valor por riscos de imagem, riscos de mercado, riscos climáticos, dentre outros.

Estas dez tendências fazem parte do relatório, porém temos também a parte do monitoramento dos sinais de que a sustentabilidade está entrando no dia a dia do mercado e as empresas estão puxando a agenda cada vez mais à frente, independente muitas vezes do interesse dos governos ou estados.

As empresas com pretensões de atuar no mercado global, competindo por recursos escassos para a expansão de suas atividades e para a construção de valores intangíveis associados às suas marcas precisam estar atentas a este novo cenário, às tendências e adotar planos de ação efetivos para acompanhar tais mudanças, sob o risco de falhar em gerar valor no médio e longo prazo.

 

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