Uma importante função dos profissionais de qualquer empresa e em qualquer ramo é contar com fontes de informação fidedignas das quais pode-se tirar conclusões e balizar estratégias de atuação. Há uns três anos acompanho a publicação inglesa “Environmental Finance”, a qual mostra as interfaces entre o mercado financeiro e a sua função primordial de fomentar o desenvolvimento sustentável por meio das finanças.
Aqueles que conhecem o blog sabem que um capítulo fundamental do relatório da UNEP sobre Economia Verde é o que se refere ao financiamento da transição da economia convencional para a economia verde.
No número deste trimestre há sinalizações bastante consistentes de que a emissão de títulos de crédito voltados para financiamento de empreendimentos que promovam a economia verde, especialmente em projetos de energia renovável e eficiência energética, estarão na ordem do dia nos próximos anos.
Claro, muitas das entrevistas são de gestores de fundos especializados em investimentos em sustentabilidade (sim, existem, e procuram retorno do investimento comparável com os demais fundos), cuja função é justamente fomentar o crescimento deste mercado, porém a visão que se extrai de seus depoimentos é de que as diversas iniciativas de investimentos baseados em princípios estão para tornar-se fonte importante de recursos para a sociedade.
Um exemplo de como o PRI está influenciando decisões de investimento é a exclusão de papeis de 23 empresas de carvão nos setores de geração e energia do portfólio de investimentos de um fundo de pensão norueguês. Uma sinalização ainda fraca, porém consistente, de que as decisões de investimento de fundos de pensão e seguradoras poderão incorporar os riscos ambientais em suas exigências de retorno e de que as empresas que procuram investimento terão que, efetivamente, mostrar resultados.
Pode ser o impulso que direcionará o mercado para adotar critérios de sustentabilidade cada vez mais restritivos.