Economia, ecologia, crematística

O pressuposto de qualquer cadeia econômica é que o sistema ecológico é apenas um subsistema dela. Serve apenas como fonte de recursos e fosso para os resíduos dos processos produtivos. A partir dos anos 1980, esta visão passa a ser insuficiente para analisar a realidade dos impactos ambientais crescentes sobre os ecossistemas e a necessidade de se observar os limites impostos pelas realidades locais aos sistemas produtivos.

Para explicar a diferença e reforçar as similaridades entre a economia e a ecologia, o filósofo inglês Tim Hayward identificou que ambas as ciências, ao contrário da falsa contradição construída por alguns discursos obscuros, sempre deveriam ser aliados históricos. É o uso de recursos nos processos econômicos sem comprometer os processos ecológicos o real objetivo da economia (ou deveria ser) e que, quando o uso de recursos resultava em simples acumulação, a qualquer custo, de dinheiro e propriedade visando acumulação em curto prazo, este processo era chamado de CREMATÍSTICA pelos gregos.

Uma vez que os sistemas econômicos globais garantem a subsistência de bilhões de pessoas no mundo, temos que lutar com o que temos em mãos. A proposta é que os processos produtivos tenham claro os limites da produção e como seus impactos comprometem em longo prazo a habitabilidade local, regional e global, sem que haja o que se convencionou chamar de “displacement”, a exportação de impactos ambientais para outros países que aceitem receber por isso.

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