Por que a pobreza e não a afluência é o maior problema ambiental?

Iniciei recentemente a leitura do livro “The Real Environmental Crisis: Why Poverty, Not Affluence, Is the Environment’s Number One Enemy?”, do Jack M. Hollander. Neste livro, o autor argumenta que a preocupação com o meio ambiente surge quando a sociedade possui afluência suficiente para resolver seus problemas básicos e parte para resolver os problemas ambientais.

Um ponto de vista interessante, sem dúvida, em virtude da visão “copo vazio” que predomina quando se abordam as questões ambientais em países de terceiro mundo, como o Brasil. A visão “copo vazio”, que cito aqui, refere-se à tentativa de vender a ideia de que as condições ambientais mundiais estão em franca deterioração e que se não acabarmos com o capitalismo o mundo vai acabar.

Nada mais falso. Nos países da Europa Oriental, ou do leste, durante os anos do regime comunista, as condições ambientais eram as piores possíveis, bem como os sistemas de gerenciamento de risco. A sociedade civil fraca não podia se manifestar contra as políticas de estado ou sequer defender questões difusas, como os direitos humanos ou o meio ambiente.

Nos EUA, pasmem todos os críticos, a área florestada, hoje, no século XXI, corresponde a 3/4 da área florestada total que existia no país em 1600. Isso mesmo, o tal “vilão de tudo que acontece de ruim no planeta” é um país admirável também sob o ponto de vista do reflorestamento. Isso o ambientalismo negativo não fala. Isso tem explicação?

Sim, tem. Após o processo acelerado de desenvolvimento industrial e todas as consequências ruins decorrentes dos impactos ambientais, a classe média passou a aspirar, além do consumo, às melhores condições ambientais. Por pressão desta sociedade, diversas instituições estatais surgiram para disciplinar o uso do ambiente. Não por acaso, logo após a época de expansão do bem estar conhecida por Hobsbawn como os “trinta gloriosos”, período de expansão econômico no pós-segunda guerra mundial, a percepção dos impactos ambientais relacionados ao mau gerenciamento de recursos tornou-se patente. Desde então, diversos mecanismos de comando e controle e de incentivos econômicos passaram a regular a relação entre a sociedade, seus padrões de consumo e o meio ambiente.

O autor afirma que, ao contrário do que o senso comum e algumas vozes apocalípticas costumam pregar, as condições ambientais nos países desenvolvidos melhoraram bastante. As tecnologias de tratamento de resíduos e redução de emissões espalharam-se pelas cidades e campos, bem como a consciência da população.

Esta melhora em função da afluência é tema da curva de Kuznets, que mostra a trajetória de desenvolvimento dos países demonstra que após um período de crescimento e afluência promovido pela expansão das forças produtivas o impacto ambiental por unidade de GDP produzida tende a diminuir e a qualidade ambiental tende a aumentar.

Para quem se interessar mais:

HOLLANDER, JACK M. The Real Environmental Crisis: Why Poverty, Not Affluence, Is the Environment’s Number One Enemy.  University of California Press (2003). Londres.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: