Sugestão de leitura

Tenho em minhas mãos um livro muito interessante sobre a questão ambiental: Chama-se “The Real Environmental Crisis: Why poverty, Not Affluence, Is the Environmental Number One Enemy”, de Jack M. Hollander.

Neste livro ele argumenta com muita elegância que os países onde a renda é mais alta, há mais liberdade econômica e democracia, resultado da evolução social e econômica, as condições ambientais são melhores e os problemas ambientais são mais eficientemente enfrentados.

Trata-se de uma variante da teoria exposta na curva de Kuznets e de um fato já identificado por diversos outros autores, onde a preocupação ambiental surge quando uma parte do país atinge a classe média e passa do patamar de satisfazer suas necessidades básicas. Certos autores, como o alemão Hanz Magnus Enzensberger, colocam a questão ambiental como uma demanda da classe média, no que não está errado.

A curva de Kuznets mostra que um país, após atingir certo nível de evolução econômica, passa a reduzir o impacto ambiental de suas por GDP produzido. Os países desenvolvidos tem políticas ativas de tratamento de seus resíduos. A Holanda, por exemplo, recicla boa parte de seu lixo reciclável e usa parte do plástico para gerar energia. A logística envolvida no dia a dia do holandês no trajeto casa-trabalho-casa é impressionante, com os transportes públicos e a bicicleta prevalecendo sobre o transporte individual.

No Japão tem-se a política de transformar a economia dentro do princípio de “recycled-sound society”, ou seja, pensar os processos econômicos sob a perspectiva dos ciclos biogeoquímicos, pesquisando ativamente que tais processos observem a geração mínima de resíduos e de contaminação.

Não só nestes países. Nos EUA, a proteção de nascentes e a atuação da “Environmental Protection Agency” tem melhorado o desempenho dos sistemas naturais que dão suporte à atividade econômica e os cidadãos fazem pressão sobre o estado para que haja uma melhoria contínua. Dados demonstram que a área de cobertura vegetal do país tem se recuperado visivelmente nos últimos 40 anos e em 2010 a área coberta por vegetação cobre o país em porcentagem superior ao período pós-guerra.

Isso é para demonstrar que o foco na gestão ambiental pública e privada tem sido foco dos países desenvolvidos também. Isso não combina com os discursos de políticos brasileiros, como o presidente Lula, que aponta o dedo acusador aos países desenvolvidos dizendo que eles estão destruindo o planeta e não fazem o dever de casa. Ao contrário, o presidente tira força, por exemplo, das agências reguladoras, como a Agência Nacional de Águas, que tem e terá um papel cada vez mais fundamental na gestão ambiental pública e na evolução positiva dos indicadores de qualidade ambiental brasileira.

Publicarei mais com base no livro de Hollander, que deveria receber uma tradução para o português para que o Brasil possa ultrapassar a fase infantil da acusação aos países desenvolvidos e assumir suas próprias responsabilidades.

Sobre Marcio Gama

O cérebro é nossa maior especialização e nos faz humanos e complexos, capazes de pensar, gerir riscos e planejar o futuro. Nos adaptamos a todos os ambientes conhecidos e aprendemos a utilizar os recursos para nossa sobrevivência. Nesta caminhada, aprendemos a nos adaptar. Tentamos resolver os problemas que criamos e esta é a parte da nossa caminhada neste planeta, o único que temos. Sou Biólogo, Mestre em Planejamento e Gestão Ambiental e Especialista em Gerenciamento de Projetos e as análises que faço aqui refletem a minha visão sobre o tema, balizada em artigos científicos e informações de fonte fidedigna e relevantes. Espero que curtam os textos.
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