Um trabalho bastante interessante em Ecologia Industrial saiu num dos fascículos do Journal of Industrial Ecology. Analisou uma situação de desenvolvimento regional sob o ponto de vista dos conceitos de ecologia a evolução de um ecossistema complexo. Começa pela pressão adaptativa do deplecionamento de recursos hídricos sobre uma série de componentes de um sistema produtivo com poucas conexões entre si e a necessidade comum de complexificar suas relações para permitir que sua atividade não ficasse comprometida.

A solução obtida foi a de promover o reaproveitamento total (ou quase total) de todos os resíduos gerados pelas indústrias locais como insumos para novos processos econômicos. O resultado foi a diminuição do consumo de insumos e o aumento da eficiência produtiva, com o fortalecimento dos laços entre os componentes do ecossistema industrial formado. Interessante observar a interdependência entre os componentes e a pressão adaptativa.

Creio que esta experiência pode resultar em modelo para Arranjos Produtivos Locais. Explico: Os arranjos produtivos locais surgem da percepção de que as necessidades econômicas locais precisam ser resolvidas e que ao juntar vários atores sociais as soluções tornam-se mais adequadas à realidade, incluindo a interdependência entre os atores deste “ecossistema” local.

Para um biólogo, como é meu caso, me parece uma “sacada” fenomenal, pois a evolução das sociedades parece poder ser explicada a partir do fortalecimento dos laços internos destas sociedades, gerando interconexões entre as “espécies” que constam deste ecossistema, muitas delas sujeitas ao mesmo tipo de pressão e com a mesma necessidade de sobrevivência.

Claro, isso vai contra o suposto “individualismo” e “hedonismo” que são ideias fortalecidas por todo o sistema produção-consumo, mas não deixa de ser uma visão alternativa interessante que aponta para um caminho a seguir.