Acabei de terminar o livro do Jakub Kronemberg intitulado “Ecological Economics and Industrial Ecology: A case Study of the Integrated Product Policy”. Muito bom. Detalha a política ambiental europeia e as principais práticas de gestão ambiental pública e privadas associadas a ela.

É muito interessante a utilização de instrumentos de comando e controle e econômicos, bem como os componentes da informação ao consumidor e os fóruns de discussão e decisão entre o ente regulador, as associações industriais E os consumidores.

Não se trata de aceitar passivamente o que indústria afirma sobre seus produtos, mas desenvolver critérios claros para que a população, também melhor informada sobre o peso ambiental dos produtos, tenha sua decisão de escolha baseada em informações, não somente em processos de comunicação e, porque não, manipulação.

Uma das ideias mais interessantes que encontrei no livro foi o DfE, ou Design for Environment / Design for recycling. Os produtos já saírem da prancha dos projetistas visando todo seu ciclo de vida, especialmente a fase da reciclagem. O estudo de caso exemplificado no livro fala do ciclo de vida dos veículos na Europa e como é gerenciada a reciclagem de automóveis. Elucidativo.

Claro que ainda falta muito para que seja alcançado o ponto de sustentabilidade, mas a Europa mostra que o primeiro passo é a visão de longo prazo, onde se pretende chegar. A definição de critérios claros de eficiência produtiva para empresas e setores produtivos e a informação ao consumidor sobre os efeitos de seu consumo. Acreditem, isso parece funcionar.

Um ponto importantíssimo é a avaliação de ciclo de vida. Transcende a questão das mudanças climáticas ou potencial de aquecimento global. A visão vai muito mais além, apesar das restrições ligadas aos limites da abordagem. Já havia estudado isso na Universidade de Leiden, o centro de referência no assunto.

A política nacional de mudanças climáticas e o plano de mitigação deveria ser apenas uma perna de uma política nacional de produção e consumo sustentáveis. Muitos outros conceitos relacionados à avaliação de ciclo de vida deveriam estar presentes nestas políticas. Sei que no Brasil temos a iniciativa brasileira de Avaliação de Ciclo de Vida. É importantíssima. É um daqueles temas que mudam toda a visão que temos sobre processos produtivos e para as quais deveríamos dar mais importância e recursos.

Enfim, é um livro revelador que pode ser adquirido na Amazon.com para I-pad. Vale a pena para todos que influenciam políticas públicas em sustentabilidade.