Será que podemos chamar de greenwashing? Acho que sim…

A temática do greenwashing, empresas e instituições que “cantam” muito que trabalham pela sustentabilidade mas gastam mais em marketing do que em ações efetivas, é muito interessante e urgente. É necessário ultrapassar a barreira dos profissionais de relações públicas e das relações com investidores para que possamos ter acesso ao que de fato é feito pelas instituições e colocá-las sob vigilância da sociedade.
Há algum tempo publiquei que governos e empresas devem estar frequentemente sob pressão, visto que é muito mais fácil defender-se por meio de mais investimento em mudança de foco e silêncio sobre os problemas que causam do que representar seus processos produtivos e produtos sob um ponto de vista de inovação e adequação ao menor impacto ambiental possível.
Alguns textos bastante interessantes apareceram esta semana. No site do “the ecologist” uma resenha sobre o livro “Foreclosing the future – Can the world bank ever reform”, de Bruce Rich (http://www.theecologist.org/reviews/2295818/foreclosing_the_future_can_the_world_bank_ever_reform.html), questiona se o Banco faz políticas ambientais com uma mão enquanto subsidia indústrias sujas com a outra.
O texto analisa o livro e demonstra que algumas das políticas e práticas adotadas pelo Banco Mundial sofrem da cultura da aprovação a todo custo de qualquer projeto de investimento, inclusive passando por cima de regulações ambientais e sociais e sofrendo de fiscalização ineficiente. Um ponto bastante enfatizado são projetos financiados pelo banco onde os padrões de desempenho da International Finance Corporation deveriam ser aplicados de forma mais incisiva no fomento da Economia Verde.
Na minha opinião, falta uma publicação brasileira crítica sobre como os bancos tem aplicado padrões de desempenho do IFC e como tem sido implementados os projetos de investimento no Brasil quanto à regularidade socioambiental dos empreendimentos.
Será que podemos afirmar que, principalmente em tempos de investimento em infra-estrutura a todo custo, a legislação ambiental e social está sendo adequadamente implementada pelos empreendimentos? Desconfio que não… Acho até que em breve teremos um tipo de fast-track, para que os projetos de infra-estrutura sejam aprovados a toque de caixa, sem que seja observada na totalidade a legislação aplicável. Afinal, na visão do governo e das empresas, é preciso arrecadar com impostos e gerar lucro, sem que o socioambiental seja adequadamente considerado. Fiquemos de olho. Há precedentes.
Um outro tema interessante desta semana é o descarte de resíduos e esgotos de transatlânticos nas praias e mares do Brasil. Houve o problema de Buzios, com a intoxicação de banhistas e há vídeos disponíveis no site http://blogs.estadao.com.br/dener-giovanini/lixo-ao-mar-para-a-msc-e-apenas-falta-de-assunto, que mostram lixo sendo descartado em nosso mar por embarcações da companhia italiana MSC, sem que haja fiscalização ou punição. O profissional de relações públicas, cuja função é desviar a atenção dos problemas, afirma que não há nada de errado. Pois bem… Tão grave quanto isso é a ameaça da empresa em parar em Abrolhos seus transatlânticos, o que representaria o fim da reserva biológica, visto a preocupação ambiental que a MSC tem demonstrado ter.
Cabe às autoridades evitar que este desastre aconteça. Enfim, creio que o greenwashing chegou para ficar, assim como o tema sustentabilidade. Temos que estar cada vez mais atentos, pois o jogo não pode ser jogado somente entre empresas e governo. Como podemos ver nestes dois exemplos encontrados em apenas uma semana, há de se aumentar a pressão sobre as empresas e sobre os órgãos de fiscalização, visto que a Sustentabilidade não é somente “posicionamento de marca” para aproveitar um “nicho de mercado”. Não é verdade que para viver num planeta sustentável é suficiente apenas acreditar na propaganda das empresas e nas palavras dos governos.
Abramos os olhos…

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