The Economist – In the Balance – texto de 05.04.2014

Uma abordagem bem equilibrada sobre os efeitos das mudanças climáticas e o último relatório do IPCC foi realizada pela revista “The Economist”, no texto denominado “In the Balance”, o qual recomendo a leitura completa. O artigo sumariza as conclusões do relatório do IPCC publicado em 31.03.2014, citando que o último estudo foi baseado em 73.000 trabalhos publicados, sendo um quarto em língua chinesa.

O texto é interessante porque sumariza uma série de detalhes sobre o relatório do IPCC. Sabemos que o relatório é dividido em três partes, um sobre a ciência das mudanças climáticas, lançado em setembro de 2013, que alertou para a acelaração do processo de aquecimento, o segundo, lançado agora, que refere-se ao modo de como os ecossistemas, a economia e os assentamentos humanos serão afetados e o terceiro volume, que será lançado em breve. O relatório afirma que as mudanças climáticas estão afetando todos os ecossistemas do Equador aos polos, sendo que, apesar de alguns efeitos apontados como positivos, a grande maioria dos efeitos será negativa e intensa.

São indicados três grandes grupos de impactos adversos: o primeiro é a acidificação dos oceanos, causada pela absorção de dióxido de carbono pela água dos mares, que terá impactos profundos sobre os ecossistemas e organismos marinhos. O segundo grupo refere-se aos impactos sobre a saúde, com mais doenças como a malária e as ondas de calor. A mudança dos padrões de nutrição e saúde pública serão bastante afetadas. O terceiro grupo refere-se ao impacto sobre as espécies e sua distribuição e modos de vida. A migração de plantas e animais já está ocorrendo nos mares, com algas mudando para locais com clima temperado. Uma vez que as algas são os produtores primários em ecossistemas, todas as cadeias alimentares podem se deslocar com elas.

A principal conclusão, e que já havia sendo sinalizada, é que os países já apostavam na alternativa da adaptação, ao invés da mitigação, o que parecia lógico para quem acompanha os indicadores ambientais globais e a expansão da economia e dos padrões de consumo de países onde as populações estão entrando na classe média. As ações a serem tomadas para evitar os maiores impactos sobre as populações, ecossistemas e economia são intensificar investimentos em infraestrutura para redução de riscos, melhorar a saúde pública, incrementar os usos de tecnologias de produção agropecuária e preparar-se para as perdas relacionadas às mudanças climáticas.

Como havia previsto Nicholas Stern, entramos na era dos impactos não lineares, não passíveis de predição, e os riscos e perdas serão ainda maiores em virtude do comportamento de sistemas não-lineares que o planeta apresenta. Ainda teremos muitos problemas a enfrentar à frente e as sociedades precisarão participar das soluções.

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