Baía de Guanabara e Olimpíadas

O Estadão publicou hoje que o periódico New York Times avisa aos competidores de vela que não entrem na Baía de Guanabara. Eu não sou daqueles que colocam o ´”nós contra eles”, “olha os gringos falando mal do Brasil” e outras baboseiras do tipo, portanto vamos analisar um pouco mais.

Há anos se sabe que teremos Olímpíadas no Rio, que teremos provas de vela na baía de Guanabara e que os rios que alimentam a baía estão completamente poluídos, seja de esgotos domésticos, efluentes industriais, lixo doméstido. Seguramente qualquer planejador meia-boca faria o lógico: Identificar as fontes de poluição, identificar as mais impactantes, formatar um plano de ação para eliminar, reduzir ou compensar os impactos e estabelecer metas de qualidade para a água dos rios, arrecadação de recursos para fazer as obras. Isso não é tecnologia inovadora, milhares de cidades e bacias hidrográficas em todo o mundo já fazem isso.

Adicionalmente, há anos temos uma Política Nacional de Recursos Hídricos que orienta a formação de Comitês de Bacia e Agências de Água por bacia hidrográfica, com a responsabiidade de planejar o uso dos recursos hídricos, monitorar a qualidade da água, cobrar pelo uso de recursos hídricos, visando financiar obras para melhoria da qualidade e quantidade de águas disponíveis para a população e para as empresas.

Há anos se sabe também que jogar lixo nos rios contamina e polui os corpos d’água e, em última instância, exige dos municípios a jusante que invistam ainda mais dinheiro em recuperação da qualidade das águas e á montante que tenham devidamente implementadas ações para gerenciar resíduos e efluentes. Concluindo, há muita legislação, há uma série de instrumentos, mas não se melhora a qualidade das águas da baía de Guanabara. Por que isso?

Arrisco algumas respostas: Os políticos dos municípios localizados nas bacias hidrográficas que alimentam a baía de Guanabara ainda não descobriram o “potencial” de realizar “contratos” com empreiteiras para fazer as obras, por isso não olham para o assunto. Outro ponto: A população brasileira e seus representantes, vereadores, deputados estaduais, distritais ou federais não tem educação. Não tem educação básica, não tem educação ambiental, não entendem a cadeia de eventos interligados entre a qualidade da água, a qualidade de vida, a educação e a saúde pública. Está acostumada somente a receber do alto, passivamente, submetendo-se às vontades do poder público. Acham que votar e receber cartão magnético pré-pago é suficiente.

Enquanto a maior preocupação for “fazer bonito” para os gringos verem nosso país e gastarem dinheiro aqui e não melhorar o país de forma permanente e contínua para os habitantes do Brasil, continuaremos a ver tais mudanças cosméticas que miram num evento pontual e esquecem quais são, ou deveriam ser, os beneficiários das políticas públicas. Parece que os políticos brasileiros não entenderam ainda o significado das manifestações do ano passado. O ponto principal refere-se a parar de brincar de fazer políticas públicas e meter a mão na massa. Será que temos algum, ao menos um, que esteja disposto a fazer?

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