O Relatório Unburnable Carbon,  realizado pelo The Grantham Institute on Climate Change and the Environment, apresenta informações relevantes e detalha relações bastante interessantes e preocupantes entre os investimentos realizados em empresas exploradoras de recursos energéticos não renováveis, os valores envolvidos em transações de empresas de recursos não-renováveis e os retornos decrescentes destes investimentos em longo prazo, em virtude das restrições relacionadas às mudanças climáticas.

A argumentação dos autores do texto concatena conceitos lógicos que levam à conclusão de que, caso sejam efetivamente realizados os investimentos em exploração de reservas de carvão, gás natural e petróleo com base nas reservas conhecidas destes combustíveis fósseis, a temperatura média do planeta seguramente será superior aos 2 graus centígrados estabelecidos para evitar as consequências negativas não lineares das mudanças climáticas.

Para limitar as emissões de Gases de Efeito Estufa seriam necessárias a redução da exploração atual de combustíveis fósseis e a adoção massiva de tecnologias para redução da quantidade de GEE na atmosfera, como as citadas no texto sobre a captura e estocagem de carbono em poços desativo (Carbon Capture and Storage – CCS).

Considerando o ritmo atual de expansão das emissões, o limite para exploração das reservas conhecidas de carvão mineral, petróleo e gás natural chegariam antes dos resultados financeiros que se esperam alcançar com o investimento em maior capacidade de extração, impactando diretamente os investidores e demais fundos de investimentos que utilizam petróleo e gás como investimentos de segurança.

Isto posto, de acordo com o trabalho, os investimentos em bens de capital para expansão das atividades de extração, refino e queima destes combustíveis não trariam o retorno esperado e os investidores deveriam questionar se as empresas deverão continuar a investir em empresas que tendem a entrar em colapso, com a consequente desvalorização de seus ativos e incremento dos passivos.

Adicionalmente, as pressões regulatórias e os sinais de que os países entrarão em um novo patamar de restrição de emissões poderiam alterar significativamente os lucros gerados pelas empresas de exploração.

O grande ponto de atenção aqui é que fundos de pensão já tem analisado o risco carbono de seus portifólios de investimento e alguns já se decidiram por retirar seus investimentos de empresas exploradoras de combustíveis fósseis.

A abordagem do texto é consistente e inclui os riscos de continuar a investir em empresas cujas fontes de retorno financeiro estão diretamente ligadas às emissões de gases de efeito estufa e representam um feedback positivo para as mudanças climáticas.

Creio que esta abordagem será cada vez mais frequente, tanto por parte de investidores quanto por parte das empresas que perderão investimentos e que, por isso, deverão diversificar seu portifólio de soluções em energia, especialmente as energias renováveis.