Ecologia industrial e a Baia de Guanabara… O que poderia ser feito?

A proposta inovadora da Ecologia Industrial é transformar os processos produtivos considerados lineares em processos cíclicos, envolvendo o uso e reaproveitamento de materiais e energia, aumentando a eficiência do uso de materiais e energia nos ecossistemas industriais, no metabolismo das cidades e promovendo inovações em materiais e design de produtos, visando reduzir o impacto ambiental total e induzir a desmaterialização e a redução do potencial poluidor dos processos econômicos.

Ao analisar-se somente a situação da Baía de Guanabara, amplamente divulgada nos meios de comunicação, sobre a contaminação por resíduos industriais, esgotos domésticos e a deficiente gestão de resíduos sólidos, pergunta-se quais as ferramentas da Ecologia Industrial poderiam apontar os problemas e sugerir soluções efetivas para a contaminação causada pelas falhas na gestão ambiental pública e privada.

A principal ferramenta para levantamento de informações seria efetuar uma Análise de Fluxos de Massa nas regiões das bacias hidrográficas. Esta aplicação permitiria identificar o metabolismo econômico dos 17 municípios que compõem as bacias hidrográficas e quais os principais contaminantes que estão sendo despejados nas águas que alimentam a Baía, bem como identificar possíveis pontos para aumento da eficiência produtiva.

Esta análise da situação da situação da gestão ambiental nos 17 municípios componentes dos seis subcomitês da bacia hidrográfica da baia de Guanabara possivelmente apontaria para graves deficiências na gestão de recursos hídricos (coleta e tratamento de esgoto, tratamento de água), na gestão de resíduos sólidos (existência de planos de gestão de resíduos, existência de aterros sanitários, iniciativas para redução do volume de resíduos, reciclagem) e na aplicação e reforço da aplicação da lei, e na gestão ambiental privada (empresas com sistema de gestão ambiental, mapeamento de áreas contaminadas, monitoramento das condições ambientais e emissões para o ambiente). Este hiato entre o que se considera ideal em termos de qualidade ambiental das águas da baía e o se tem hoje se materializaria em falhas de gestão e de insuficiência para provar a relevância política.

A resolução do problema, é claro, envolveria a necessidade de recursos humanos preparados para a gestão ambiental pública e privada, orçamento para realizar obras e ações de capacitação e comando e controle, possivelmente um consórcio de municípios atuando em abordagem diferente do planejamento estritamente municipal, visando apenas quatro anos e a ampliação do horizonte de planejamento da lógica do mandato do prefeito para o planejamento dos próximos 10/20 anos.

Como é de conhecimento de quem atua na área de gestão ambiental, indicadores de desempenho já existem nas políticas nacionais de meio ambiente, de recursos hídricos, de gerenciamento de resíduos, de gerenciamento costeiro. Existem profissionais qualificados para realizar tais procedimentos porém, quando se chega ao nível dos estados e municípios, vê-se que as prioridades locais para aplicação dos recursos públicos muitas vezes não passa pela gestão ambiental pública.

Isto posto, considerando que as ferramentas estão amplamente disponíveis e existem melhores práticas facilmente replicáveis, bem como abordagens como a da Ecologia Industrial, não se justifica que, sabendo que haveria uma Olimpíada em 2016 no Rio de Janeiro desde 2009, as condições ambientais da Baía de Guanabara sejam expostas semanalmente como extremamente preocupantes. Mais… por que só agora?

Há uma grande população morando naquelas bacias hidrográficas que não vão se beneficiar do fluxo de turistas e dinheiro diretamente, ficando apenas com os impactos negativos do desvio de prioridades de investimento em qualidade ambiental. É preciso entender, e urgentemente, que apesar das diversas ações de greenwashing que foram efetuadas pelos políticos responsáveis pelo evento para desqualificar os dados CIENTÍFICOS coletados que provam a contaminação por bactérias e vírus, a realidade acaba por atropelar as ações de comunicação vazias, como bem estamos aprendendo, com atraso, agora, em todos os níveis de governo.

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