Relatório “Living in a Climate Change”, da European Environmental Agency

A Agência Ambiental Europeia produziu um relatório muito interessante sobre as necessidades de adaptação às mudanças climáticas, que servirá também para subsidiar as discussões a serem realizadas na COP 21, no final de 2015, em Paris.

O relatório serve como exemplo de relato ambiental, uma das ações importantes para um processo de gestão ambiental pública e privada, e para a disseminação de informação relevante para a população e para partes interessadas nos setores público e privado.

Este documento mostra os impactos das mudanças climáticas na saúde pública, nos oceanos, na agricultura, nos solos e nas cidades e detalha as iniciativas que já foram elaboradas no âmbito da União Europeia para reduzir os impactos destas mudanças, especialmente em relação aos futuros acordos políticos para mitigação das emissões e a importância de mudar as prioridades e subsídios aos investimentos em energia e infraestrutura para promover a adaptação aos efeitos das mudanças climáticas.

O desafio, obviamente, é imenso. Há, no entanto, o reconhecimento explícito de que a prioridade política dos investimentos em mitigação e adaptação aos efeitos das mudanças climáticas entrou na ordem do dia na União Europeia. Esta prioridade foi dada pelo reconhecimento de que diversos impactos causados por eventos extremos foram intensificados pelas mudanças climáticas e pela ausência de estratégias de mitigação e adaptação. Este modelo de gestão de riscos aponta para um sistema maduro de gerenciamento ambiental público.

Com base na admissão real dos possíveis impactos, adicionando-se as tendências de crescimento e possíveis cursos de ação por meio de agentes privados, públicos e da sociedade, a EEA apresenta uma visão geral do problema sobre os vários ecossistemas dos quais a sociedade depende para realizar suas atividades.

Mais uma vez o campo de pesquisa da ecologia industrial é citado como forma de direcionar o desenvolvimento dos sistemas produtivos para uma economia verde, em virtude da proposta de mimetização dos conceitos de fluxos de energia e massa em sistemas ecológicos.

A abordagem de Avaliação de Ciclo de Vida e demais instrumentos da Ecologia Industrial, que considero como os modelos avançados de Gestão Ambiental, tem aparecido em diversos documentos de discussão e pode-se considerar que há uma disposição a aplicar tais conceitos para propiciar uma abordagem técnica para a redução dos impactos ambientais da produção econômica.

Adicionalmente, o relatório demonstra a necessidade urgente de direcionar recursos financeiros para subsidiar a transformação da economia atual em economia circular, especialmente ao reduzir os desperdícios atuais, recuperar os sistemas naturais, dotar as cidades de infraestrutura em produção e consumo descentralizado de energia e em maior eficiência logística.

As sugestões da EEA também conectam-se com a proposta das finanças ambientais e dos green bonds, citados várias vezes neste blog, como forma de fomento de obras direcionadas para a sustentabilidade, especialmente quando se fala nos maiores emissores europeus, a produção de energia (30%), os transportes (20%) e a indústria (19%).

Quais lições podem ser aprendidas pelo Brasil? A primeira refere-se ao levantamento de dados e informações ambientais para subsidiar políticas efetivas de redução de impactos ambientais. O conceito fundamental da gestão ambiental, seja pública ou privada, é a identificação real dos impactos e, a partir desta identificação, a elaboração de planos específicos para atuação.

Outro ponto que o Brasil deveria aproveitar, que seguramente será um resultado da COP 21,  é o incremento significativo do uso de green bonds para financiar a sustentabilidade global, tanto as obras de “gray adaptation”, relacionadas à infraestrutura, quando as de “green adaptation”, relativas à recomposição e recuperação ambiental.

No momento em que se perde o grau de investimento e que o custo de captação de recursos deve aumentar para as empresas nacionais, ter projetos viáveis, com retorno adequado aos investidores e submetidos a regras internacionalmente reconhecidas de governança em sustentabilidade, podem atrair recursos. É nosso desafio fazer acontecer.

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