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Análise do desempenho ambiental dos Parques Eco-Industriais na China

Um dos movimentos mais interessantes em Ecologia Industrial, especialmente na temática dos Parques Ecoindustriais (EIP’s) e Simbiose Industrial (IS), tem acontecido na China.

Pressionados pelos crescentes impactos ambientais ocasionados pela industrialização maciça ocorrida nas últimas duas décadas, que puxou o crescimento global e posicionou a China como o parque industrial global, com seus ônus e bônus associados, o Departamento Ambiental Chinês investiu na abordagem de Parques Ecoindustriais, visando promover a Simbiose Industrial como forma de aumentar a eficiência produtiva e reduzir os impactos ambientais.

Um interessante artigo publicado no Journal of Industrial Ecology em dezembro de 2015 pelos pesquisadores Liu, Tian, Chen, Lu e Gao analisa o desenvolvimento dos EIP’s na China. Estes parques tem sido implementados por mais de uma década e o artigo apresenta uma métrica para analisar a ecoeficiência no desempenho destes arranjos produtivos.

Os EIP’s são compostos de indústrias com atividades complementares, onde os resíduos gerados em determinados processos produtivos podem ser utilizados como insumos em outros processos. No caso da China, a adoção da política surgiu a partir da pressão gerada pela deterioração das condições ambientais, que exigiu uma resposta adaptativa das instituições.

O país possui 1568 parques industriais, com os típicos problemas ambientais gerados pela concentração de indústrias.  A Agência de Proteção Ambiental da China iniciou o Programa Demonstrativo Nacional de Parques Ecoindustriais em 2001 e selecionou 85 regiões industriais para aplicar os conceitos relacionados à Ecologia Industrial.

Em 2006 foram estabelecidos os padrões para três tipos de EIP’s – Integrados, com diversas indústrias de características diferentes em mesmo espaço geográfico, Específicos, relacionados à concentração de indústrias com características semelhantes e os chamados Venosos, cuja característica principal é a recuperação de substâncias específicas de processos produtivos. Em 2007 iniciou-se a implementação, com 71 parques integrados, 13 específicos e 1 “venoso” (um nome melhor é necessário).

Dois aspectos positivos levantados pelos autores emergem do texto: A necessidade de integração de políticas e medidas para potencializar o efeito positivo dos EIPs e os benefícios relacionados às iniciativas, analisados por 26 indicadores de desempenho relacionados aos processo econômicos, eficiência no uso de recursos, controle de poluição e gestão ambiental.

A medição da Ecoeficiência dos EIP’s é conceituada como o valor agregado em função do impacto ambiental gerado. Os detalhes dos cálculos realizados para analisar o desempenho dos EIP’s podem ser encontrados no artigo original.

Destaque-se no artigo as iniciativas adotadas para melhoria do desempenho ambiental dos EIP’s. A produção mais limpa, os Sistemas de Gestão Ambiental, o compartilhamento de infraestrutura são pressões positivas para o estabelecimento da Simbiose Industrial. O artigo aponta para o fomento de ainda mais EIP’s na China, com a construção de uma plataforma de disseminação de experiências, com uma curva de aprendizagem acelerada pela disponibilização de informações. A análise do desempenho ambiental também auxilia a consolidar o conceito dos EIP’s e o que é esperado deste desempenho. A gestão dos resíduos será fomentada, tendo em vista que o incremento total de reciclagem de resíduos demonstra um processo mais eficiente de produção e fomenta, por sua vez, a pesquisa por inovações tecnológicas relacionadas à Ecologia Industrial, Economia Circular e EIP’s e IS.

Os pesquisadores concluem, com base nas análises realizadas, que de 2007 a 2010 houve incremento no desempenho ambiental de 89,4% dos EIP’s analisados, com a redução do consumo de recursos e da poluição gerada por valor agregado. Adicionalmente, demonstra-se que as indústrias incluíram a produção mais limpa, a gestão ambiental e o compartilhamento de estruturas produtivas (i.e. água e calor) para promover a Ecoeficiência.

É possível fazer mais com menos, a China tem demonstrado. É de se esperar que com o desenvolvimento ainda maior da política de estabelecimento de EIP’s o valor agregado seja incrementado em relação ao impacto ambiental e que em breve a China seja uma usina de soluções para a integração de parques industriais.

Categorias:Jornal de Ecologia Industrial

Marcio Gama

O cérebro é nossa maior especialização e nos faz humanos e complexos, capazes de pensar e planejar o futuro.
Nos adaptamos a todos os ambientes conhecidos e aprendemos a utilizar os recursos para nossa sobrevivência. Nesta caminhada, aprendemos a nos adaptar.
Tentamos resolver os problemas que criamos e esta é a parte da nossa caminhada neste planeta, o único que temos.
Sou Biólogo, Mestre em Planejamento e Gestão Ambiental e Especialista em Gerenciamento de Projetos e as análises que faço aqui refletem a minha visão sobre o tema, balizada em artigos científicos e informações de fonte fidedigna e relevantes. Espero que curtam os textos.

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