Tendências para finanças sustentáveis

O relatório sobre Economia Verde da UNEP destaca a participação crucial do sistema financeiro em direcionar os processos econômicos em direção à sustentabilidade dos processos econômicos, por meio dos mecanismos econômico-financeiros que são suas especialidades.

Sem dúvida a captação, investimento e redução de riscos socioambientais tem papel crucial nesta mudança que necessita a sociedade e o florescimento de um mercado financeiro voltado para o financiamento da Economia Verde tem potencial de gerar feedbacks positivos nos processos econômicos e fomentar os projetos voltados para os processos sustentáveis.

A revista Environmental Finance, uma das fontes de informação mais confiáveis sobre Finanças e meio ambiente, apontou na sua edição de janeiro as tendências que se consolidaram em 2015 e sugere os possíveis cenários que acontecerão em 2016.

A consolidação dos compromissos de redução de emissões de gases de efeito estufa na Conferência de Paris, ocorrida no final de 2015, é uma força indutora poderosa para fomento da Economia Verde. Compromissos de países, entidades empresariais e sociedade civil tem potencial de transformar-se em ação.

O desinvestimento em empresas cuja atividade está focada exclusivamente na exploração de combustíveis fósseis começa a aparecer, especialmente em grandes investidores institucionais, tendo sido foco de análises neste blog.

Outros investidores calculando o risco do carbono das empresas e tornando este um critério de análise de atratividade para seus investimentos exigem um processo adaptativo das empresas também. A sinalização de que a incorporação do valor do carbono nos processos de produção pode alterar a atratividade das empresas seguramente exigirá um processo de adaptação da apuração do valor dos produtos. O impacto ambiental gerado pode inviabilizar determinadas cadeias produtivas.

As políticas de transparência relacionadas à informação sobre emissões tornado-se mandatórias e submetidas ao escrutínio público, as políticas públicas de países desenvolvidos privilegiando energias renováveis e atraindo recursos por meio de green bonds também tem potencial de fomentar inovação e eficiência, substituindo os tradicionais subsídios às energias sujas que atualmente existem e fomento as soluções locais, tais como a geração descentralizada de energia, que em última instância geram grandes impactos ambientais e privilegiam grandes obras.

Todo este cenário, com as tendências a serem confirmadas durante 2016, construirão um ambiente de negócios diferente para quem trabalha em finanças e sustentabilidade. Os desafios serão grandes em países como o nosso, cujos indicadores de atratividade estão ruins, consolidados no rating brasileiro em virtude da instabilidade econômica e da falta de liderança política.

No entanto, existem projetos privados altamente atrativos nas áreas que são foco de investimentos em Economia Verde. Temos saneamento ambiental (água, esgotos e resíduos sólidos), recuperação de áreas degradadas, energias renováveis e geração descentralizada, mobilidade urbana, retrofitting de edifícios urbanos e pesquisas e inovação que são atrativos para os investidores institucionais externos e internos, e com taxas de retorno atrativas podem representar uma chance de produzir crescimento.

Para isso precisamos também, no entanto, que os projetos sejam competitivos em relação à capacidade de geração de retornos e que atraia mais do que os juros altíssimos praticados pelo Estado. Isso torna difícil encontrar um ponto de equilíbrio de projetos em Economia Verde, nas áreas citadas no parágrafo anterior, que não implique em custo excessivo em tarifas que seriam cobradas da sociedade.

Portanto, para ser competitivo e efetuar a migração para uma Economia Verde, precisamos de processos mais racionais no que se refere às taxas de juros e taxas de retorno de projetos. A Economia Verde só se consolidará se for mais atrativa que o mais do mesmo. Para isso, os custos ambientais de projetos considerados não verdes devem ser incorporados às atividades para que a sociedade deva decidir como seus investimentos promoverão um maior crescimento econômico, com maior qualidade ambiental e maior equidade, premissas da economia verde.

 

 

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