State of Green Business 2017

O pessoal da GreenBiz acaba de lançar a décima edição do relatório State of Green Business, versão 2017.

A proposta da instituição é influenciar a transição de uma economia linear para os preceitos da economia circular, onde se aumenta a eficiência no uso de energia, com redução de custos e investimentos em energias renováveis, reduz-se a geração de resíduos com a melhoria no design e tecnologias relacionadas aos novos materiais e aproveitam-se as oportunidades de negócios relacionadas à nova economia, especialmente às relacionadas aos investimentos financeiros.

O relatório é dividido em duas partes: As tendências em sustentabilidade e negócios e os indicadores de desempenho de empresas no tema, especialmente das empresas dos EUA em comparação com o mundo.

O CEO da Trucost, Dr. Richard Mattison, identifica como pressão adaptativa forte o acordo de Paris, assinado em 2016, como impulsionador de práticas relacionadas à redução das emissões de carbono pelas empresas. Além disso, trata como inevitável a incorporação do custo do consumo de capital natural e poluição aos custos de produção, que promoverá uma forte readequação da análise da viabilidade econômico-financeira de empresas e da atratividade destas aos investidores institucionais à busca de negócios com risco-retorno adequado.

O estudo apresenta dez tendências globais para sustentabilidade e negócios com possibilidades reais de alterar o ambiente de negócios.

  1. O uso de redes tecnológicas e de pessoas para monitorar o estado do ambiente e aumentar a capacidade de rastreabilidade e certificação de origem de produtos, aliando a indústria da TI à necessidade de verificar a conformidade socioambiental de produtos e aumentar a eficiência no uso de recursos naturais na produção.
  2. A adoção de novos materiais na produção, cumprindo os objetivos de DfE (Design for Environment) e economia circular, com menor emissão de carbono por unidade produzida e maior reaproveitamento ao final do ciclo de vida do produto.
  3. Os objetivos do desenvolvimento sustentável entram na estratégia das grandes empresas, puxadas principalmente por grandes empresas gestoras de grandes cadeias de suprimento e fornecedores.
  4. Os investimentos em infraestrutura para prover de água e saneamento as sociedades e empresas terão incremento, além de inovações relacionadas ao uso destes recursos. O risco hídrico será incorporado ao cálculo do custo do consumo do capital natural, fomentando novas maneiras de reaproveitamento e iniciativas para recuperar as áreas produtoras de água. Minha aposta: A emergência da Economia da Recuperação Ecológica como solução para tais problemas.
  5. O uso de energia limpa pelas grandes empresas alterando o perfil de produção de energia dos países, por meio da autogeração e disponibilização para a sociedade dos excedentes gerados. Empresas com grandes redes e grandes espaços para geração terão vantagem.
  6. O desempenho ambiental das empresas estará cada vez mais sujeito ao escrutínio público e à verificação de conformidade e veracidade de informações, alterando também o comportamento dos investidores institucionais. A real disposição das empresas em avançar em seus sistemas de gestão socioambiental será avaliada e premiada, inclusive no que tange aos investimentos e desinvestimentos em empresas com alta intensidade de carbono.
  7. As pressões sobre as cadeias de suprimentos com relação aos seus indicadores ambientais e práticas sustentáveis aumentarão, muito em função das grandes empresas e seu poder de negociação frente a estes fornecedores. Neste ponto, a existência de crédito acessível para modernização produtiva com base em sustentabilidade será crucial e um modo de diferenciação da atividade financeira.
  8. A mobilidade urbana ultrapassará o conceito da posse do objeto, concentrando nos novos modelos de logística e impulsionando as novas tecnologias para produção de combustíveis ou fontes de energia alternativas.
  9. A difusão das tecnologias da informação permitirão a reação ainda mais imediata a eventos críticos, bem como a fiscalização e monitoramento ainda mais eficiente.
  10. A transformação da resiliência em estratégia de sustentabilidade refere-se à capacidade das instituições, cidades e empresas em adaptar-se às incertezas causadas por problemas relacionadas aos problemas ambientais, especialmente em relação às mudanças climáticas.

Estas dez tendências já estão em curso, acontecendo, e ao que parece resistirão inclusive aos líderes populistas, visto que a manutenção do capital natural (i.e. o estoque limitado de recursos naturais dos quais as pessoas e negócios dependem para o bem estar, prosperidade e segurança), que inclui ar e água, terra, solo, biodiversidade e recursos geológicos, independe da ideologia.

A segunda parte do relatório é muito interessante também. Refere-se aos indicadores objetivos de que a sustentabilidade e os negócios serão indissociáveis. Analisam quatro principais grandes temas:

  1. Ambiente de negócios, onde o custo do capital natural para as empresas tende a aumentar quando o gerenciamento é inadequado. Este gerenciamento inclui a extração de recursos não renováveis, as perdas de eficiência no processo, a poluição e os impactos dos resíduos não contabilizados nos custos de produção.
  2. Investimento em modelos de negócios mais verdes, com a consequente escolha por projetos com a sustentabilidade entrando na fase do design e o desinvestimento em empresas cujos modelos de negócios estejam calcados em produtos com alta emissão de carbono. Um exemplo para os bancos são a emissão de green bonds para financiamento de projetos sustentáveis ou o acesso a funding mais barato para irrigar linhas de crédito sustentáveis.
  3. Desempenho corporativo avaliado por indicadores claros referentes à atividade da empresa, com incorporação de poluição da água, emissão de gases de efeito estufa, poluição por pesticidas ou uso excesso de fertilizantes, com uma maior transparência sujeita a avaliação por investidores institucionais.
  4. Liderança corporativa significa liderar o movimento de produção mais limpa, com incorporação de tecnologias inovadoras. Os gráficos mostram que 6 em 10 empresas americanas já consideram o tema em suas estratégias.

Conclusão

O relatório apresenta direcionamentos interessantes para quem trabalha em sustentabilidade corporativa. Eu indicaria as várias pressões adaptativas que serão geradas como cruciais na avaliação de qualquer estratégia.

Riscos climáticos, risco hídrico, avaliações por entidades independentes, emissão de green bonds para financiar projetos sustentáveis, o uso de tecnologias ainda mais intenso para promover eficiência. Estas são tendências já acontecendo e servirão de padrão para comparação para investidores institucionais. As novas metas para desenvolvimento sustentável, 17 ao todo, serão incorporadas às atividades das empresas.

Sob o ponto de vista das empresas de finanças, o desafio é transformar o risco socioambiental em negócio e premiar de forma diferenciada aqueles projetos que incorporam o custo do consumo indiscriminado do capital natural e que evitam a degradação causada pelos processos produtivos.

Este futuro está chegando rapidamente e cabe a nós aproveitarmos tais oportunidades.

 

 

 

Sobre Marcio Gama

O cérebro é nossa maior especialização e nos faz humanos e complexos, capazes de pensar, gerir riscos e planejar o futuro. Nos adaptamos a todos os ambientes conhecidos e aprendemos a utilizar os recursos para nossa sobrevivência. Nesta caminhada, aprendemos a nos adaptar. Tentamos resolver os problemas que criamos e esta é a parte da nossa caminhada neste planeta, o único que temos. Sou Biólogo, Mestre em Planejamento e Gestão Ambiental e Especialista em Gerenciamento de Projetos e as análises que faço aqui refletem a minha visão sobre o tema, balizada em artigos científicos e informações de fonte fidedigna e relevantes. Espero que curtam os textos.
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2 respostas para State of Green Business 2017

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