Emissão de Green bonds pela Apple

Em fevereiro de 2016 a empresa Apple emitiu US$ 1,5 bilhão em Green bonds, com vistas a captar recursos para tornar sua atividade mais sustentável. Dentre as premissas adotadas pela estratégia da empresa com esta captação direta no mercado foram citadas as seguintes:

  1. Redução do impacto nas mudanças climáticas pelo uso de fontes de energia renovável e pelo aumento da eficiência no uso de energia em suas fábricas, produtos e fornecedores;
  2. Usar materiais sustentáveis em seus produtos e processos; e,
  3. Conservar recursos naturais importantes. 

Para cumprir estes três objetivos, a empresa desenvolveu projetos específicos relacionados à economia circular. Somente em 2016 foram aplicados inicialmente US$ 441,5 milhões nas seguintes áreas:

  1. Energias renováveis (US$ 129 milhões)
  2. Green buildings (US$ 232 milhões)
  3. Eficiência energética (US$ 74 milhões)
  4. Eficiência hídrica (US$ 461 mil)
  5. Reciclagem e reutilização de materiais (US$ 2,8 milhões)
  6. Pesquisa e desenvolvimento de novos materiais (US$ 2,04 milhões)

No link da reportagem sobre os investimentos, observa-se o compromisso da empresa com a sustentabilidade e permite-se concluir que uma verdadeira revolução já está ocorrendo, capitaneada também pela indústria da tecnologia. Estes investimentos permitirão à empresa manter a liderança na área onde atua.

O novo campus da Apple, mundialmente conhecido, foi parcialmente financiado com os recursos captados. O edifício é classificado como Leed Gold e já é alimentado com 100% de energias renováveis. Com o investimento em reciclagem e reutilização de materiais, espera-se que a Apple avance para políticas denominadas em gestão ambiental de take-back, recebendo de volta seus produtos em fim de ciclo de vida e recuperando metais raros e minerais importantes para seus ciclos produtivos, reduzindo o impacto causado pela mineração e reinserindo tais materiais nos seus processos produtivos.

O trabalho da Apple nestas seis áreas assemelha-se ao proposto por Allenby no livro “Industrial Ecology: Policy and Implementation“, lançado em 1995. Tendo por base a premissa de reduzir os fluxos de materiais e energia nos processos produtivos, Allenby sugere que as empresas deveriam investir em pesquisa de novos materiais e design, a mineração urbana e a busca incessante por mais e mais eficiência no uso de materiais e de energia.

Tais investimentos serão cruciais para as empresas que almejam tornar-se resilientes e que pretendem sobreviver por mais tempo no mercado, isso é fato. Para suprir estes investimentos as empresas podem usar recursos próprios ou emitir bonds temáticos, como foi o caso da Apple.

O uso de green bonds para financiar tais projetos sustentáveis demonstra um caminho muito interessante também para as instituições financeiras e empresas no Brasil, considerando que os bonds temáticos poderão financiar a transição das atividades destas empresas nas mesmas áreas consideradas pela Apple.

Temos espaço para avançar financiando as grandes empresas, gestoras de grandes cadeias de fornecedores, em sustentabilidade. Eficiência energética, eficiência no uso de água, edificações sustentáveis, mobilidade urbana e infraestrutura podem se beneficiar bastante e alimentar um novo ciclo de crescimento e empregos no Brasil. Precisamos ousar, ganhar eficiência e inovar.

Um comentário em “Emissão de Green bonds pela Apple

  1. Pingback: Nova emissão de green bonds da Apple – Economia circular tomando forma na Estratégia da Empresa – Sustentabilidade em ação

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