Quantificação dos plásticos nos oceanos – Nature Communications

Artigo interessante na Nature Communications se propõe a quantificar  as emissões de plásticos para os oceanos, com vistas a realizar uma primeira aproximação da intensidade dos inputs de poluição que sai dos rios para os mares, baseados na gestão de resíduos, densidade populacional e informação hidrológica.

A estimativa de material descartado nos oceanos anualmente está entre 1,15 e 2,41 milhões de toneladas, com 74% do descarte total ocorrendo entre maio e outubro. Os 20 rios mais poluídos estão em sua maioria na Ásia, com o Rio Amazonas aparecendo em sétimo lugar no volume total de resíduos descartados.

O método utilizado permite estimar a quantidade de resíduos plásticos descartados nos Oceanos de forma global (talvez por isso a grande incerteza na estimativa), apontando para as prioridades na gestão destes resíduos.

Os parâmetros utilizados permitiram encontrar uma correlação positiva entre a quantidade de plásticos descartados e a densidade populacional, a produção de resíduos por habitante, a presença de represas nos rios (que resulta em barreira física para a fluxo de materiais plásticos), dentre outros.

A quantificação é o primeiro passo para estabelecer prioridades (dentro do princípio de que o que não é quantificado não é gerenciado). Prioridades territoriais para a intervenção em termos de gestão, prioridades para financiamento e em que período do ano, visto que foi encontrada uma diferença em função do período do ano (ligadas às variáveis de clima, p.ex. precipitação).

O estudo inicial levanta várias hipóteses com relação à geração de resíduos e sua dinâmica de distribuição global, com fatores que podem ter correlações positivas ou negativas nesta dinâmica de descarte global.

A gestão de resíduos, portanto, continua a ser um problema crítico para os gestores ambientais, tanto públicos quanto privados. A adoção de princípios de Economia Circular na fase de design de produtos (o DfE – Design for Environment) é uma das possíveis soluções em escala. O incremento do valor do plástico descartado também pode ser um fator indutor da reciclagem.

A redução do uso de embalagens e dos produtos descartáveis também é uma das bandeiras adotadas globalmente por grupos de pressão, com resultados razoáveis na utilização de produtos não recicláveis e resultando em legislação restritiva por parte de alguns países e estados, como a França, Holanda e Califórnia (EUA).

O uso da incineração em alguns países, como o Japão e a Islândia, também é uma maneira de reduzir o volume de resíduos e o descarte no mar, em que pese as emissões gasosas altamente poluentes.

O documentário Trashed demonstra que, mesmo que resolvamos o problema altamente complexo do descarte de plástico nos oceanos por meio das soluções tecnológicas do DfE ou redução do volume de resíduos produzidos, ainda existe um passivo a ser enfrentado nos aterros sanitários e lixões em torno do planeta e que continuarão a causar impactos muito tempo depois do seu descarte.

De qualquer forma estimar a quantidade de resíduos plásticos descartados nos oceanos é um primeiro passo para o gerenciamento: O problema foi identificado e as quantidades foram estimadas. Daí, pode-se passar a priorizar a solução politicamente, considerando que será identificada como uma questão crítica e receberá recursos e responsáveis para o tema.

Sobre Marcio Gama

O cérebro é nossa maior especialização e nos faz humanos e complexos, capazes de pensar, gerir riscos e planejar o futuro. Nos adaptamos a todos os ambientes conhecidos e aprendemos a utilizar os recursos para nossa sobrevivência. Nesta caminhada, aprendemos a nos adaptar. Tentamos resolver os problemas que criamos e esta é a parte da nossa caminhada neste planeta, o único que temos. Sou Biólogo, Mestre em Planejamento e Gestão Ambiental e Especialista em Gerenciamento de Projetos e as análises que faço aqui refletem a minha visão sobre o tema, balizada em artigos científicos e informações de fonte fidedigna e relevantes. Espero que curtam os textos.
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