Artigo interessantíssimo publicado no 360.yale.edu avalia as possibilidades de utilização da energia perdida em processos produtivos, com aumento da eficiência do uso de energia de grandes plantas para as cidades.

O aumento da eficiência no uso de energia era um dos desafios que Eugene Odum encarava como cruciais na década de 1970, quando escreveu “Fundamentals of Ecology”. Neste livro, o autor conceituou o ecossistema como trocas frequentes de energia, matéria e informação entre indivíduos interconectados por estes fluxos, sujeitos aos feedbacks positivos e negativos que ajustam continuamente o comportamento dos integrantes deste ecossistema, funcionando como pressões adaptativas e gerando interdependência e diversidade.

Tais processos naturais também são processos com baixa eficiência, visto que grande parte do que é sintetizado pelos produtores (plantas e algas) é perdido sob forma de calor nos consumidores primários, consumidores secundários e assim por diante, até chegar aos decompositores. Estima-se que a cada nível trófico sejam aproveitados até 10% da energia total ingerida ou absorvida, com perda do restante.

No artigo  da 360 a autora Nicola Jones ressalta o incrível potencial para aumento da eficiência no uso do calor originado dos processos produtivos. Dados da reportagem estimam em 30% a eficiência do uso de recursos e que experiências, ou seja, 70% de perda no uso do calor perdido pelo uso de máquinas e outros processos.

O problema do desperdício da energia atraiu start-ups cujo foco é justamente resolver este desafio. Com base na avaliação de processos produtivos de grandes empresas e as possibilidades de sinergias e ganhos de eficiência com as cidades que as circundam, várias experiências tem sido implementadas com vistas a aumentar a eficiência no uso de energia de 30% para 60% – 80%.

Figura 1: Detalhe de experiência da empresa Facebook na Dinamarca

CHP

Fonte: https://e360.yale.edu/features/waste-heat-innovators-turn-to-an-overlooked-renewable-resource

A figura 1 demonstra como funciona o modelo para produção de calor e transporte para localidade onde se encontra. Estas iniciativas começaram a aparecer em virtude da dependência de determinados países de energia fóssil de regiões vulneráveis, o que os tornava vulneráveis também.

Desafios físicos ainda são grandes, como o transporte deste calor por longas distâncias. Espera-se que mais experiências do tipo apareçam em todo o mundo, como resultado de políticas públicas e investimento em inovação.

A pauta da eficiência no uso de energia e matéria, por meio do incremento de informação nos sistemas, tem sido um dos pilares da revolução no uso de recursos que será necessária para prover a crescente população humana de energia e matéria necessárias para suas atividades.