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Relatório de Riscos Globais – WEF 2018

O Fórum Econômico Mundial publica anualmente o relatório de riscos globais. Neste relatório analisa quais aspectos representam maior risco, com base em probabilidade e impacto dos riscos sobre a Economia Global.

O risco é definido como o produto entre a probabilidade de ocorrência e o impacto que o evento, caso ocorra, representaria. Neste ano, como em 2017, os maiores riscos globais estão relacionados  aos eventos climáticos extremos,  aos desastres naturais e às falhas em mitigação e adaptação às mudanças climáticas, conforme figura abaixo.

global risks

Fonte: https://www.weforum.org/reports/the-global-risks-report-2018

Outra figura visualmente interessante mostra a interrelação entre as tendências levantadas no relatório (pontos coloridos) e os maiores riscos (pontas externas). Esta análise aponta os impactos sistêmicos da concretização dos riscos. É uma variação da análise de causa-efeito.

Note-se que a tendência instabilidade social profunda aparece como efeito em quase todas as concretizações de risco. Em geral tendemos a reduzir a importância dos eventos climáticos extremos, que tem aumentado em frequência e intensidade em virtude das mudanças climáticas e das falhas na mitigação e adaptação, com base nas evidências científicas.

A mudança abrupta das condições ambientais, com a consequente alteração ou destruição dos ecossistemas causa alterações também na disponibilidade de fatores abióticos e bióticos que asseguram a viabilidade econômica das diversas cadeias produtivas das quais dependem grande parte da população global.

Esta disrupção das condições ambientais locais causa problemas econômicos, causando, como tradicionalmente ocorre em colapsos das condições locais de produção, migrações e instabilidade social.

Interrelação

https://www.weforum.org/reports/the-global-risks-report-2018

As interconexões entre os riscos, outra parte fundamental do relatório, demonstra um análise de stock-flow simplificada, onde a intensidade do feedback positivo é dada pela largura das retas que ligam os riscos.

As interconexões entre as migrações, instabilidade social profunda, falhas em mitigação e adaptação às mudanças climáticas, crises na água e consequentemente crises na produção de alimentos demonstram que tais temas precisam estar presentes no planejamento dos países.

Interconnections

https://www.weforum.org/reports/the-global-risks-report-2018

Obviamente, os países ricos e com políticas mais robustas de gestão de riscos possuem mais recursos para enfrentar tais desafios e mais ferramentas para evitar, compensar, mitigar ou enfrentar os efeitos adversos. No entanto, isso não resulta em maior resiliência caso a instabilidade social profunda em outros países resulte em colapso do Estado e a migração em larga escala.

Temos observado no Brasil onde o colapso do Estado Venezuelano está levando sua população. A Colômbia e o Brasil estão pagando pela crise venezuelana, causada pela instabilidade social profunda e falhas na governança local causada pelo ditador Maduro. Um risco a considerar-se, também, é a possibilidade de conflito inter-estatal, mas não é assunto do post do blog e não perderemos tempo com este tema.

A interligação de riscos é uma análise que deve ser feita em processos de produção de inteligência e a inteligência deve subsidiar o planejamento. A partir desta interligação entre riscos e da intensidade dos impactos advindos, pode-se medir a força relativa destes impactos e priorizar os investimentos e ações em evitar, mitigar ou compensar tais impactos, planejando as ações que trarão maior retorno na redução sistêmica de riscos.

Para quem trabalha com cenários e inteligência, sugiro analisar o relatório completo. As tendências de macroambiente apontadas no relatório seguramente impactarão as atividades de empresas e instituições governamentais, e para isso deveriam ser montadas estratégias para aproveitar oportunidades e mitigar ou evitar riscos.

 

 

Categorias:publicação - dica

Marcio Gama

O cérebro é nossa maior especialização e nos faz humanos e complexos, capazes de pensar e planejar o futuro.
Nos adaptamos a todos os ambientes conhecidos e aprendemos a utilizar os recursos para nossa sobrevivência. Nesta caminhada, aprendemos a nos adaptar.
Tentamos resolver os problemas que criamos e esta é a parte da nossa caminhada neste planeta, o único que temos.
Sou Biólogo, Mestre em Planejamento e Gestão Ambiental e Especialista em Gerenciamento de Projetos e as análises que faço aqui refletem a minha visão sobre o tema, balizada em artigos científicos e informações de fonte fidedigna e relevantes. Espero que curtam os textos.

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