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Diretrizes para financiamento em Economia Circular

A passagem da sustentabilidade como discurso para a sustentabilidade em termos de práticas pode ser fomentada quando os bancos oferecem aos seus clientes recursos para realizar produtos e serviços sustentáveis.

Bancos captam recursos a taxas x e aplicam a taxas x+1, oferecendo a gestão do risco e a otimização de aplicação de capital aos seus clientes, tanto investidores quanto tomadores de empréstimos e outros serviços.

Com isso na cabeça, e considerando os conceitos associados à Ecologia Industrial e Economia Ecológica, os bancos holandeses ABN Amro, ING e Rabobank, grandes players financeiros globais, publicaram diretrizes para o financiamento da Economia Circular.

O diagrama abaixo posiciona a Economia Circular como subsistema de uma Economia Verde, com essa focando em gestão de resíduos, prevenção da geração de recursos e na eficiência no uso de recursos.

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De acordo com executivos dos três bancos, o financiamento da Economia Circular é uma ação estratégica de cada um deles e o lançamento de diretrizes permite definir um background comum para definição da Economia Circular, com recomendações para a disseminação de informação, definição de critérios para projetos elegíveis, considerando a aplicação de recursos, a avaliação de projetos, a gestão de investimentos e o reporte, visando tornar o tema um novo padrão de desempenho.

Os modelos de economia circular considerados enquadram-se nas seguintes diretrizes:

  1. As entradas de insumos produtivos das empresas substituem as matérias primas originais por materiais reciclados, originados da recuperação de recursos;
  2. O design dos produtos é circular, ou seja, são originados de empresas e projetos que eliminam ou reduzem a entrada de materiais tóxicos e são desenhados para a modularidade, desmontagem e reparo para facilitar a reciclagem, o reúso e a extensão do ciclo de vida do produto;
  3. Modelos de negócios compartilhados, que otimizam a utilidade do recurso ao longo do seu ciclo de vida, por meio do compartilhamento ou manutenção;
  4. Extensão do ciclo de vida do produto por meio do reuso, recuperação ou remanufatura de produtos e fundos;
  5. Produto como serviço, incrementando a circularidade da cadeia de suprimentos como um todo com base na economia dos serviços prestados e não da posse, do compartilhamento e alinhamento de interesse entre parceiros da cadeia de valor (divisão de custos e benefícios) e rastreabilidade de produtos e materiais utilizados na produção;
  6. Recuperação de materiais e recursos, com recuperação de valor de resíduos, sejam eles energia, materiais, calor, efluentes, dentre outros. A reciclabilidade passa a ser, portanto, a melhor maneira de recuperar valor de produtos e materiais em fim de ciclo de vida;
  7. Estabelecimento de redes e colaboração com facilitadores da Economia Circular, como consultoria, engenharia, conhecimento e provedores de dados e contabilidade, fomentando a mudança para a Economia Circular, com o investimento em tecnologias, facilitação da logística reversa, disseminação de conhecimento, construção de mercados para materiais usados e gestão de informações sobre materiais.

Existem nas diretrizes também os critérios de exclusão, onde exigem dos projetos a serem apresentados que contenham obrigatoriamente:

  1. Máximo esforço para extrair o máximo de valor do que é descartado, desde que economicamente e tecnicamente viável;
  2. Projetos com impactos sócio-econômicos positivos como parte de cadeias produtivas circulares, com foco em fechar os ciclos ineficientes;
  3. Não classificar projetos de energia renovável como circulares, visto que o descarte dos projetos muitas vezes não é considerado;
  4. Uso de biomassa e resíduos orgânicos podem ser classificados como circulares, desde que sejam parte de uma cadeia de valor circular e que a biomassa seja originada de fontes sustentáveis;
  5. As medidas de eficiência são consideradas como circulares se estas incorporam o fechamento de ciclos de materiais e recursos, alterando processos produtivos lineares.

Tais diretrizes, quando avaliadas à luz da Ecologia Industrial, demonstram que o tema já extrapolou as políticas públicas, entrando na estratégia de instituições financeiras globais.

A destinação de recursos financeiros para determinados nichos de negócios pode fomentar a adoção de processos produtivos mais eficientes e reduzir o impacto ambiental da atividade econômica. O envolvimento dos bancos é fundamental para o direcionamento desta Economia Circular, com os conceitos da Ecologia Industrial no âmago desta busca da eficiência.

 

 

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Marcio Gama

O cérebro é nossa maior especialização e nos faz humanos e complexos, capazes de pensar e planejar o futuro.
Nos adaptamos a todos os ambientes conhecidos e aprendemos a utilizar os recursos para nossa sobrevivência. Nesta caminhada, aprendemos a nos adaptar.
Tentamos resolver os problemas que criamos e esta é a parte da nossa caminhada neste planeta, o único que temos.
Sou Biólogo, Mestre em Planejamento e Gestão Ambiental e Especialista em Gerenciamento de Projetos e as análises que faço aqui refletem a minha visão sobre o tema, balizada em artigos científicos e informações de fonte fidedigna e relevantes. Espero que curtam os textos.

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