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Limites ecológicos e econômicos e o oceano

O site Yale Environment 360 produz artigos sobre temas ambientais e sua relação com os processos econômicos. Em artigo publicado na última semana o biólogo marinho Daniel Pauly defende a moratória da pesca em mares profundos, visando permitir que os processos ecológicos sejam minimamente recuperados.

A sobrepesca é um impacto sobre o meio ambiente que implica na captura de recursos pesqueiros acima da capacidade de reprodução e crescimento das espécies, com o comprometimento ou ruptura irreversível das cadeias alimentares necessárias para o seu desenvolvimento.

Sylvia Earle e Calum Roberts, dois pesquisadores sobre oceanos, também posicionam a sobrepesca como um dos grandes problemas ambientais a serem enfrentados pelas sociedades que dependem do mar como fonte de proteína animal na próxima década, com apontamentos de que os processos ecológicos que sustentam a produção podem estar à beira do colapso.

A saída defendida por Daniel Pauly é a criação de áreas protegidas marinhas nas águas internacionais, permitindo a recuperação das cadeias alimentares e dos ecossistemas por elas sustentados.

As evidências coletadas por Pauly da depleção de recursos estão no indicador esforço de pesca, referente à quantidade de milhas navegadas para obter determinado retorno financeiro, um pouco semelhante ao desenvolvido pelo pessoal do EROI (retorno de energia sobre o investimento), que mede a intensidade do consumo de energia para se obter determinado retorno financeiro.

Segundo o pesquisador, o estabelecimento de áreas protegidas globais provocaria um aumento da quantidade de peixes, que por transbordamento repovoariam as zonas econômicas exclusivas dos países.

Sob o ponto de vista econômico, no entanto, os países que dominam a pesca em águas internacionais (Espanha, Coreia do Sul, Taiwan) e obtém os maiores retornos econômicos resistem à ideia, mesmo que a medida seja necessária para a gestão adequada dos recursos e, caso não implementada, custe o comprometimento irreversível dos estoques pesqueiros.

Neste ponto recuperamos o necessário conceito de capacidade de suporte: Há limites nos recursos disponíveis para sustentar determinadas populações e há limites ecológicos para a captura das espécies sem que o sistema seja comprometido.

Os relatos de Callum Roberts nos livros “The unnatural history of sea” e “The Ocean of Life: The Fate of Man and the Sea” demonstra o quão intensa foi a degradação e a exploração a que submetemos os mares e oceanos, ao ponto de comprometer os ecossistemas dos quais dependemos para suprir parte significativa da necessidade de proteína das populações humanas.

Mais uma vez os limites para exploração de recursos devem ser lembrados. O conceito de recursos renováveis e não renováveis aplica-se somente se aos renováveis forem dados tempo para recuperação. Indicadores de que os limites estão sendo extrapolados referem-se ao aumento da energia necessária para acessar os estoques pesqueiros e do tamanho dos recursos capturados.

Voltando ao autor do artigo, há necessidade de recuperar-se as fontes de recursos dos quais dependemos para viver. Segundo o conceito fundamental da Economia Ecológica, o Sistema Econômico é um subsistema Ecológico. A exploração de um recurso renovável acima da taxa de recomposição deste recurso impacta diretamente os meios de subsistência das populações que dele dependem.

 

 

 

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Marcio Gama

O cérebro é nossa maior especialização e nos faz humanos e complexos, capazes de pensar e planejar o futuro.
Nos adaptamos a todos os ambientes conhecidos e aprendemos a utilizar os recursos para nossa sobrevivência. Nesta caminhada, aprendemos a nos adaptar.
Tentamos resolver os problemas que criamos e esta é a parte da nossa caminhada neste planeta, o único que temos.
Sou Biólogo, Mestre em Planejamento e Gestão Ambiental e Especialista em Gerenciamento de Projetos e as análises que faço aqui refletem a minha visão sobre o tema, balizada em artigos científicos e informações de fonte fidedigna e relevantes. Espero que curtam os textos.

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