David Attenborough – A life on our planet

Me lembro a primeira vez que tive contato com David Attenborough e o impacto que deve sobre minha vida. Aos 10 anos vi meu pai recebendo o livro “A Vida na Terra”, cujo conteúdo eram belíssimas imagens e textos sobre diversidade biológica. Era 1982 e juntamente com os documentários do Jacques Cousteau e “A Vida Selvagem”, nos sábados pela manhã, se o meu cérebro não estiver me enganando.

Há dois meses a plataforma de streaming Netflix incluiu em sua grade o documentário “David Attenborough: A Life on Our Planet“, no qual o Biólogo inglês fala sobre o que viu durante sua vida, o que aprendeu, e a importância da Diversidade Biológica para a vida na Terra.

O que ele detalha no documentário é de abrir nossos olhos e mentes para a necessidade de partir para uma economia de recuperação ambiental o quanto antes, visto que os indicadores vitais do planeta nos colocam em clara rota de colisão com a diversidade biológica que levou bilhões de anos para chegar neste ponto.

Este blog tem por premissas a Economia Ecológica, da qual a Economia é um subsistema dos sistemas ecológicos que permitem a vida e a produção econômica humana, e portanto tem limites, e a Ecologia Industrial, na qual os processos produtivos precisam mimetizar alguns processos naturais de aproveitamento de recursos com eficiência, o que combina perfeitamente com a mensagem que ele passa no seu documentário.

A vida na Terra depende de condições em equilíbrio ecológico e também de condições que permitam os seres vivos adaptarem ao ambiente, que sempre está mudando. O alerta dado por Attenborough é de que estas condições que regulam o planeta estão se perdendo pela superexploração, pela mudança rápida das condições ambientais, pela superpopulação, por políticas equivocadas e por informação insuficiente sobre os impactos das decisões políticas sobre a diversidade biológica.

Dentre os impactos, ele cita a superexploração de recursos pesqueiros, por políticas de maximizar as capturas sem observar a capacidade de suporte, da destruição de florestas tropicais para plantar ração para animais, pelo uso de produtos químicos sem a adequada avaliação de risco. Exatamente o que tem sido repetido há décadas, porem para ouvidos surdos para as evidências científicas.

Do mesmo modo que fomos tomados pelo negacionismo sobre as vacinas em pleno 2020, as evidências das mudanças climáticas e da deterioração dos indicadores de diversidade biológica tem sido simplesmente negligenciados, como se o homo sapiens pudesse escapar dos efeitos deletérios da perda da diversidade biológica. Talvez a visão plenamente difundida de que dominamos a Terra pela técnica mais uma vez nos tenha deixado com a Hubris que precede os desastres.

O ponto positivo no documentário, e reforçado pelo discurso da Retomada Sustentável da Economia pós-covid 19 (espero que não seja somente mais uma retórica), é que pode-se acelerar a Economia da Recuperação Ecológica, extremamente necessária para aumentar a produtividade primária dos ecossistemas, que sustentam várias cadeias alimentares.

Assim como nos meus 10 anos, acreditando nas datas emaranhadas das memórias, o que David Attenborough faz no documentário é convidar novas crianças e jovens a descobrir como amar este planeta e recuperar os ecossistemas degradados. Para daí sim acreditarmos que somos a espécie que consegue consertar alguns erros, pois temos consciência de que eles ocorrem e temos consciência de como recuperar as condições ecológicas das quais todos dependemos.

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