State of Green Business 2021

O processo de identificação de tendências que impactam o ambiente de negócios é uma das funções das áreas de inteligência. A partir de documentos estratégicos, entrevistas com pessoas chave dentro da indústria, monitoramento de mercado nas variáveis política, econômica, social, tecnologias, meio ambiente e legislação permitem estruturar o cenário de atuação das empresas junto aos desafios de continuar existindo e produzindo resultados ao longo do tempo, bem como adaptar-se ao ecossistema donde atua, utilizando dos drivers para mudança de estratégia de acordo com a evolução do seu mercado.

Uma associação bastante importante para o monitoramento de tendências de mercado é o Green Business Group. Emitem anualmente o relatório State of Green Business, cujo foco é identificar justamente as tendências, temas emergentes e incertezas que emergem do ambiente de negócios. No mercado há 14 anos, tem identificado players, drivers e tendências importantes para a estruturação e desenvolvimento do que se convenciona chamar critérios Ambientais, Sociais e de Governança.

O relatório é dividido em duas partes. A primeira, que detalhamos aqui, refere-se às tendências de mercado observadas durante o ano de 2020 e que sinalizam para crescimento em 2021. A segunda apresenta dados sobre a evolução do tema nos EUA, evidenciando o crescimento das questões ASG dentre as empresas.

Com o choque da pandemia de COVID-19 percebe-se a aceleração de tendências. Grandes movimentos como o Green New Deal ou o Building Back Better defendem que os Estados invistam diretamente nas soluções sustentáveis, agreguem mais rapidamente os critérios ambientais, sociais e econômicos em seus balanços e aprofundem a mensuração de suas atividades por indicadores não financeiros de desempenho.

A adesão aos compromissos voluntários de mensuração pelas empresas tem sido um indicador forte de mudança de comportamento. Empresas aderindo ao Task Force on Climate-related Disclosure, assumindo compromissos de desenvolver estratégias, métricas e indicadores para a redução de emissões, o movimento Net-Zero tomando força, direcionando as empresas para considerar suas atividades e planejar para não só reduzir emissões, mas zera-las, compensá-las e até tornar-se Net-Positivo.

O relatório apresenta as dez principais tendências capturadas no mercado global e norte-americano, seguindo a estrutura do relatório dos anos anteriores. Listei-os e inclui um pequeno resumo de cada tendência.

  1. Sequestro de carbono nos Oceanos – As soluções baseadas na natureza ganham força, com diversas empresas inovadoras buscando investir em captura de carbono utilizando os processos naturais de ecossistemas. Entra o cálculo do carbono no solo (tem iniciativas interessantes no Brasil sobre pagamento de serviços ambientais em teste), o investimento em carbono de florestas, áreas costeiras e oceanos (estes dois últimos dando origem ao conceito do blue carbon).
  2. S do ASG ganhando importância – Os aspectos sociais passam a ser ainda mais importantes, uma vez que a pandemia explicitou que a rede de proteção social dos estados exclui parte considerável da sociedade. Os indicadores mais expressivos são o de igualdade de gênero e direitos humanos, que passam a contar nas avaliações as quais as empresas tem sido submetidas. O parâmetro de avaliação envolve os processos de recrutamento e seleção, as oportunidades de ascensão na carreira, com foco na igualdade de oportunidades. O impacto positivo e negativo sobre a sociedade passa a ser exigido e questionado nos rankings ASG e podem representar um adicional na geração de valor da empresa.
  3. Investimentos nas comunidades – As empresas começam a investir mais no desenvolvimento de suas cadeias de fornecedores locais, com vistas a gerar empregos e renda localmente e atrair desenvolvimento local, mais complexidade e diversidade. É um fator de desenvolvimento local extremamente efetivo para gerar transformação.
  4. Aquicultura como net-positivo – A Aquicultura de peixes, mariscos e algas tem ganhado espaço como estratégia para redução da pressão sobre os estoques pesqueiros, sob intensa pressão e com retornos decrescentes em virtude da sobrepesca. Por outro lado, diversos impactos negativos associados à aquicultura estão sendo enfrentados com aplicação de novas tecnologias e inovação, reduzindo tais impactos relacionados à produção.
  5. Descarbonização industrial – O setor industrial responde por 1/3 das emissões globais de gases de efeito estufa e a pesquisa realizada pelo GreenBiz identifica três principais fontes: Consumo de energia, processos industriais e combustão. A necessidade de reduzir emissões tem gerado iniciativas inovadoras, desde elas a compra de energia renovável, a atualização de tecnologias produtivas e novos processos visando a descarbonização. Dentre eles destacamos a eficiência, a eletrificação, o hidrogênio “verde” e o biometano.
  6. Natureza contando no balanço financeiro – Os ganhos de eficiência e redução de carbono não tem sido suficientes para promover a regeneração de processos ecológicos. Partindo desta premissa e considerando os indicadores de impacto sobre a biodiversidade, será lançado em 2021 o Task Force on Nature-related Disclosure (TNFD), com base no que feito pelo TCFD e visando introduzir a métrica do impacto sobre a biodiversidade no balanço das empresas por meio de medidas de risco e em médio/longo termo direcionar os processos produtivos para setores com resultado positivo em termos de biodiversidade.
  7. Mobilidade sustentável – Empresas tem investido em todo o planeta na mobilidade sustentável de seus colaboradores, por meio de iniciativas de caronas coletivas ou carros elétricos. A mobilidade tem sido incorporada nas atividades das empresas como modo para reduzir emissões da sua própria atividade.
  8. Aviação no caminho sustentável – A Aviação é um setor da economia considerado muito difícil de reduzir emissões, assim como transporte marítimo, alumínio, concreto, dentre outros. O Net-Zero também entra na aviação, representando um driver para inovação e eficiência, visto que a sinalização de uma taxação de carbono pode impactar de forma irreversível a viabilidade das empresas.
  9. O lado humano da Economia Circular – O conceito de Economia Circular exige uma reformulação do modelo de extração – produção – consumo – descarte, com a reintrodução de materiais no ciclo produtivo com a extensão do seu ciclo de vida. Esta extensão depende em grande parte de pessoas sujeitas a vulnerabilidade social e este processo torna-se importante para quantificar os resultados positivos para as empresas. O foco na melhoria das condições de trabalho de recicladores aparece como tendência neste trabalho.
  10. Defesa de temas por Corporações – O engajamento corporativo em temas de interesse difuso, tais como diversidade, biodiversidade, mudanças climáticas e direitos humanos, dentre outros, tem sido importante para pressionar por mudanças positivas na sociedade. Esta defesa agrega força e age como driver para mudança de legislação, pressão sobre agentes de estado de forma positiva, como forma de avançar agendas positivas.

Estas tendências estão ocorrendo. Vemos investidores questionando os impactos da atividade de nossas empresas sobre a biodiversidade, quais ferramentas estamos aplicando para reduzir o risco, qual nossa posição com relação ao Net-Zero, exigências maiores do regulador e a atividade tornando-se cada vez mais complexa, com os indicadores não financeiros ganhando relevância.

A pandemia acelerou a busca por soluções para agregar novos temas que a sociedade quer ver incluídos nas atividades das empresas, agregou metas para tornar a atividade mais sustentável, com mais indicadores ambientais, sociais e de governança aos quais devemos nos adaptar.

Outro ponto importante é que sob o ponto de vista das finanças sustentáveis, cada uma das tendências identificadas no trabalho do Grupo GreenBiz.com mostra um futuro desejável e reforça a necessidade do país em acelerar a identificação de projetos com indicadores de sustentabilidade suficientemente robustos para receber investimentos e acelerar no país a adoção de critérios de avaliação de impactos ambientais, sociais e de governança desde a fase de design de projetos e produtos.

Iremos passar por esta transição para a sustentabilidade com indicadores robustos, é um movimento global e inevitável. No Brasil, como de praxe, precisamos atentar para os indicadores sociais e para os passivos sociais acumulados por séculos de exclusão.

A percepção das exclusões diversas a que boa parte da sociedade brasileira está exposta está mais evidente e precisa não somente gerar indignação, mas também ações efetivas para reduzir o gap entre aqueles que tem acesso a tudo e aqueles na sociedade que ainda penam para ter acesso a saneamento, água, comida, emprego, educação, saúde, previdência, apoio emergencial.

O enfrentamento destas exclusões exige uma governança pública e privada extremamente eficiente. A sustentabilidade como processo exige que desenvolvamos governança pública e privada conectadas com os temas globais. Precisamos desenvolvê-la, com urgência.

Para mais informações e para o acesso ao relatório completo, visite e aproveite o conteúdo da GreenBiz.com.

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