“Greenwashing”

O informativo da rede “greenbizz”, dos EUA, publicou recentemente um informação bastante interessante sobre “greenwashing”. “Greenwashing” é inventar informações sobre a sustentabilidade da empresa para esconder as próprias práticas inadequadas na gestão ambiental. Este informativo listou 10 práticas usuais para as empresas que praticam “greenwashing”, as quais reproduzo aqui em inglês, para não prejudicar o entendimento:

1. fluffy language: Words or terms with no clear meaning (e. g. “eco-friendly”)

Já viram alguma empresa usar a retórica da sustentabilidade como se fosse sua? Falar leve enquanto promove poluição? São essas. Investimento em compensação de impactos e comunicação não apagam os impactos ambientais e sociais da empresa.

2. Green product vs. dirty company: Such as efficient lightbulbs made in a factory that pollutes rivers.

Produto verde e companhia suja. Produzir brinquedos é legal, mas pintar com chumbo e jogar poluição em rios, como em alguns países do mundo sem regulamentação ambiental ou mecanismos de reforço das leis, pode ser interessante sob o ponto de vista econômico, mas é ético você deslocar os impactos ambientais para outros países apenas para não contaminar o seu próprio quintal?

3. Suggestive pictures: Green images that indicate a (unjustified) green impact (e. g. flowers blooming from exhaust pipes)

Uma chaminé de fábrica com flores na ponta, ao invés de gases de efeito estufa ou contaminantes atmosféricos. Tem gente que faz isso.

4. Irrelevant claims. Emphasizing one tiny green attribute when everything else is not green

Reforçar apenas uma ação quando todas as outras promovem degradação ambiental e social. É como falar que tem um sistema eficiente de tratamento da água enquanto deixa de pagar os impostos trabalhistas. Reprovável.

5. Best in class. Declaring you are slightly greener than the rest, even if the rest are pretty terrible.

Já presenciei empresas falando que eram as melhores dentre as piores e fazendo festa sobre isso. Um relatório internacional foi lançado fazendo análise da situação ambiental de determinado setor empresarial. Todas tiveram desempenho abaixo de 40%, porém, a que teve 36% disse que era a melhor do país.

6. Just not credible. “Eco friendly” cigarettes, anyone? “Greening”a dangerous product doesn’t make it safe.

Vejam as políticas socioambientais de muitas empresas produtoras de cigarros. São melhores que a implementação de diversas políticas públicas, mas não escondem o fato de que produzem cigarros.

7. Jargon. Information that only a scientist could check or undestand

A neutralização de carbono é um exemplo típico, ao menos para mim. O carbono que aquece o planeta vem de poços no interior da Terra. Para neutralizar, obviamente, este carbono deveria voltar para estes poços. Só que se pretende COMPENSAR as emissões plantando árvores. QUANTOS ANDARES DE PLANETA TERRA SERIAM NECESSÁRIOS PARA IMOBILIZAR O CARBONO RETIRADOS DOS POÇOS? Alguém já se perguntou sobre isso?

8. Imaginary friends. A “label”that looks like third party endorsement – except that it’s made up.

Já temos exemplos desta ação nos supermercados. Sabão em pó “ecológico” com uma árvore desenhada e outras tantas estratégias que podem ajudar a empresa a vender mais, mas não ajuda o planeta a sustentar as atividades econômicas e ainda queimam a imagem de quem faz as coisas corretamente.

9. No proof. It could be right, but where’s the evidence?

Auto-declaração de que é sustentável não me parece a melhor forma de provar que é de fato sustentável. Existem diversas técnicas que podem analisar ciclo de vida de produto, fluxos de energia e massa, dentre outros, para dar um padrão de comparabilidade entre as alternativas. Eu sugeriria uma auditoria ambiental de conformidade para que se atestasse a preocupação ambiental e social da empresa. Senão pode ser comparado a alguns indivíduos que dizem que fazem isso e aquilo, mas na verdade só tem papo.

10. Out-right lying. Totally fabricated claims or data.

Martelar dados em relatórios internacionais e nacionais visando sustentar designações de sustentável, amiga do planeta, etc e esquecer de fazer o dever de casa. Isso é terrível e tira a credibilidade dos movimentos que movem as empresas em direção à sustentabilidade.

Enfim, lembrar que a comunicação, propaganda e marketing é apenas o meio de informar sobre as realizações e intenções de uma empresa. NUNCA deve suplantar as ações reais da empresa, sob a pena de atingir de forma fatal a marca e a credibilidade. Os tempos estão mudando e as empresas e pessoas precisam adequar-se também.

Sobre Marcio Gama

O cérebro é nossa maior especialização e nos faz humanos e complexos, capazes de pensar, gerir riscos e planejar o futuro. Nos adaptamos a todos os ambientes conhecidos e aprendemos a utilizar os recursos para nossa sobrevivência. Nesta caminhada, aprendemos a nos adaptar. Tentamos resolver os problemas que criamos e esta é a parte da nossa caminhada neste planeta, o único que temos. Sou Biólogo, Mestre em Planejamento e Gestão Ambiental e Especialista em Gerenciamento de Projetos e as análises que faço aqui refletem a minha visão sobre o tema, balizada em artigos científicos e informações de fonte fidedigna e relevantes. Espero que curtam os textos.
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  1. Pingback: Green Bonds e a conformidade: Critérios para análise do conceito | Sustentabilidade em ação

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