Dematerialização e de-crescimento

Um conceito bastante interessante em economia ecológica é a necessidade de dematerializar e de-crescer a economia.

A dematerialização refere-se à necessidade de reduzir o consumo de materiais de uma economia sem comprometer a sua produção de riquezas. Significa que um país e sua estrutura produtiva devem adaptar-se à produção de serviços e incorporar o custo ambiental a cada centavo gerado de GDP. Vejo um problema inicial neste conceito: Como convencer um país em desenvolvimento, tipo China ou Brasil, que tem passivos ambientais e sociais enormes, a reduzir seu consumo material? Tendo em vista as deficiências de infraestrutura de estradas, tratamento de água e esgoto, produção de energia e com população ainda crescente, não há como gerar um crescimento denominado verde que reduza o consumo de natureza e de recursos não renováveis.

Portanto, talvez a dematerialização e de-crescimento seja possível apenas em países com uma implementação total do estado de bem estar social e com infraestrutura impecável ou no mínimo bastante superior ao que ocorre no Brasil ou China, como ocorre na Europa e nos EUA.

Isso aponta para uma conclusão de que ainda se aumentarão muito as emissões de gases de efeito estufa para a atmosfera, tendo em vista que grandes países com grandes populações ainda necessitam grandes investimentos em infraestrutura para tornar-se global players.

Esta é uma discussão bastante interessante e crucial para o futuro do planeta. Não vimos ainda no Brasil qualquer preocupação com o que vem por aí.

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