Fórum Econômico Mundial – Relatório “Global Risks 2015”

A gestão de risco depende fundamentalmente da identificação e análise de variáveis potencialmente críticas em relação à probabilidade de ocorrência e ao possível impacto de eventos e as possibilidades de gestão destes riscos, bem como da análise dos impactos sistêmicos e seus efeitos sobre as sociedades.

O Fórum Econômico Mundial lançou um relatório a ser analisado no seu encontro anual muito interessante sobre os riscos globais. Este material identifica várias tendências e vários riscos e os categoriza, procurando alertar os participantes do fórum (governantes, empresas e sociedade) sobre os temas críticos que merecerão mais atenção nos próximos 10 anos.

As principais tendências identificadas no relatório, e que podem ser consideradas como pressupostos da análise, são o envelhecimento da população, as mudanças climáticas, a degradação das condições ambientais, o crescimento das classes médias em países emergentes, o nacionalismo crescente, a polarização interna, o incremento das doenças crônicas, da hiperconectividade, da mobilidade geográfica e da desigualdade de renda, as mudanças no poder, a urbanização e o enfraquecimento da governança global.

Com base nestes pressupostos, foram identificados diversos riscos e, dentre os eventos foram evidenciados e categorizados aqueles com maior probabilidade de ocorrência e impacto provável.

Quadro 1: Impacto e probabilidade de ocorrência de riscos identificados no relatório Global Crisis 2015.

Impacto e probabilidade

 

 

Com relação à probabilidade de ocorrência os 10 maiores eventos críticos apontados no relatório referem-se, em ordem de importância, aos seguintes temas:

1. Ocorrência de Conflitos Interestatais

2. Eventos climáticos extremos

3. Falhas na governança nacional

4. Colapso estatal e crises

5. Desemprego ou subemprego

6. Catástrofes naturais

7. Falha na adaptação às mudanças climáticas

8. Crises relacionadas à disponibilidade de água

9. Fraudes relacionadas à gestão da informação

10. Ataques cibernéticos

Com relação ao impacto provável, os 10 temas mais críticos são os seguintes:

1. Crises relacionadas à disponibilidade de água

2. Disseminação de doenças infecciosas

3. Armas de destruição em massa fora do controle

4. Ocorrência de Conflitos Interestatais

5. Falha da adaptação às mudanças climáticas

6. Choque nos preços de energia

7. Falhas críticas na infraestrutura de informações

8. Crises fiscais

9. Desemprego ou subemprego

10. Perda da biodiversidade e colapso de ecossistemas

O quadro demonstrado pelo relatório aponta como eventos de alta probabilidade e alto impacto as crises relacionadas à disponibilidade da água, os conflitos interestatais, as falhas na adaptação às mudanças climáticas e o incremento do desemprego ou subemprego. Estes eventos exigem ações mais urgentes dos participantes do evento e é de se esperar que haja uma ofensiva das instituições presentes sobre estes temas primordiais.

É importante que observemos a quantidade de temas relacionados à gestão ambiental pública e privada que aparecem como críticos para enfrentamento nos próximos 10 anos.

As crises de disponibilidade de água, que já vem sendo enfrentadas em importantes áreas produtoras de alimentos no mundo todo, como na Califórnia, nos EUA, ou em São Paulo, no Brasil, exigem atenção rápida, visto que os impactos desta crise tem impactos sobre as cadeias produtivas na agropecuária, na viabilidade econômica e social na ocupação de espaços territoriais e na gestão das cidades.

As falhas na adaptação às mudanças climáticas e seu potencial impacto e probabilidade de ocorrência sinalizam que o tema deve ganhar ainda mais força na arena política, com intensificação da pressão sobre a produção de energias fósseis e o desenvolvimento de novas tecnologias, o que pode impactar diretamente os países produtores de petróleo.

Os eventos extremos, como resultantes de mudanças climáticas, também podem gerar grande instabilidade global, com movimentos migratórios, fome, desemprego e subemprego. Lembremos que um aspecto sempre tem ligações com vários outros, tendo em vista a natureza sistêmica dos impactos e a retroalimentação de um aspecto sobre outros.

Aparece como crítico também o impacto da perda da biodiversidade e colapso de ecossistemas. Neste ponto, podemos citar claramente a sobrepesca, o esgotamento dos recursos pesqueiros, a perda de florestas e animais, a perda de condições de produção causadas pela deterioração de florestas, impactos sobre o ciclo hidrológico, perda de fertilidade dos solos. Tudo isso pode afetar diretamente as cadeias produtivas globais da agropecuária e a qualidade de vida nas cidades.

Há outros eventos relacionados à gestão ambiental pública e privada que impactarão as sociedades. O planejamento urbano é citado como um evento também crítico, as migrações, as crises de abastecimento de alimentos, ataques terroristas, desastres naturais causados por atividades humanas, dentre outros.

O trabalho com inteligência estratégica exige que as fontes de informação sejam fidedignas e tenham relevância, bem como que apontem os temas que irão pautar as grandes decisões globais e, consequentemente, terão efeitos sobre as economias globais cada vez mais integradas.

Este trabalho é extremamente relevante, visto que será debatido por líderes globais de países, empresas, fundos de investimento e sociedade civil. Estes líderes são responsáveis por determinar a Agenda Global e por tomar decisões para reduzir os riscos globais.

No entanto, é necessário que esta informação também seja disseminada nos países, para que haja pressão sobre os tomadores de decisão. A entrada de temas de gestão ambiental como fontes críticas de risco global sinaliza que os riscos precisam estar evidentes para que ainda haja possibilidade de reduzi-los.

Há riscos que, se concretizados (e as probabilidades de ocorrência alta são uma sinalização definitiva), ameaçam diretamente a sobrevivência dos estados-nação, a estabilidade social e as condições materiais de vida, com alto potencial disruptivo. Os presentes em Davos devem se movimentar… Os que não vão, a maioria silenciosa, também.

4 comentários em “Fórum Econômico Mundial – Relatório “Global Risks 2015”

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