Descarbonização da Economia Global

O blog da Universidade de Yale publicou hoje uma interessante análise sobre evidências de descarbonização da Economia Global (aqui). A descarbonização refere-se à produção de maior retorno econômico dos processos produtivos com a redução da emissão de carbono por unidade de retorno gerada. É um conceito que remete diretamente à Ecoeficiência e, por consequência, está ligado às áreas de estudo da Ecologia Industrial.

No artigo o autor analisa os dados da Economia Global com as emissões de carbono e atribui esta redução da intensidade de carbono à redução do consumo de carvão mineral, especialmente do maior emissor global, a geração de energia na China. Contribuiu para a redução das emissões a redução do ritmo de expansão das indústrias de cimento e aço, historicamente ligadas às emissões mais altas de gases de efeito estufa, em virtude da desaceleração da Economia chinesa.

O maior avanço observado foi a redução de 80% para 70% de uso de carbono na matriz energética daquele país, bem como com a expansão quase exponencial da produção de energias renováveis (eu destacaria também a implementação de complexos ecoindustriais, posicionando o país como gerador de inovação neste tópico em Ecologia Industrial).

No caso da descarbonização observada na Europa, atribui-se o fato ao deslocamento das indústrias intensivas em carbono para a China, o que contribuiu para o aumento da poluição das cidades, com a consequente necessidade de ação governamental para reduzir as emissões indesejáveis para a atmosfera e para as águas do país.

Dois fatores apontados como cruciais para a ocorrência deste fenômeno foram a redução do preço da geração de energias renováveis, estimuladas pelas tecnologias mais eficientes e pelas compras governamentais, bem como as restrições a serem colocadas pelos estados e pelo mercado à geração de energia com fontes não renováveis. O crescimento exponencial experimentado pela indústria da energia renovável veio para ficar.

Um ponto adicional, amplificado pelos dois fatores apontados, é a fuga de capitais observada por empresas com sua principal atuação em geração de energia não renovável, causando o que tem sido chamado de stranded assets , que representam um risco para a indústria de não renováveis como um todo.

O artigo enfatiza, no entanto, que para seguir este processo de descarbonização da Economia Global é necessário olhar para as emissões relacionadas aos transportes, especialmente à indústria de aviação e de navios, e para as emissões de metano, devido ao seu alto potencial de aquecimento global e à expansão de processos produtivos que causam emissões do gás.

Ainda assim, o problema da redução das emissões não estaria equacionado, visto que o passivo persiste como um problema a ser enfrentado. Estima-se que para manter o planeta com o impacto limitado ao aumento de 2º C e abaixo de 450 ppm não deveremos emitir mais do que 800 bilhões de toneladas, com as emissões chegando a zero em 2050.

Este é um cenário extremamente complicado em que a velocidade da transição da Economia deve apresentar uma aceleração acima do que a que foi vista até o momento, com políticas públicas ativas de fomento à compra de energia renovável e fomento da indústria da energia solar e eólica, bem como a geração descentralizada.Há espaço para avanços mais efetivos, porém tais avanços necessitam ganhar velocidade, tanto em relação ao fomento ativo de alternativas sustentáveis por meio de subsídios diretos ou a retirada de subsídios indiretos à produção de energias não renováveis, bem como a promoção mais intensa da transição da economia tradicional para a economia verde.

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