Relatório da EEA – Shaping the future of Energy in Europe: Clean, smart and renewable

Uma professora do curso de gestão ambiental nos ensinava que em política ambiental as boas ideias são copiadas. Os países desenvolvem suas legislações e, consideradas bons exemplos a serem seguidos, são copiadas em outros países.

Isso ocorreu com o instrumento da Avaliação de Impacto Ambiental, criado em 1969 pela Environmental Protection Agency nos Estados Unidos, bem como com a criação de parques nacionais e áreas protegidas, instrumentos que inicialmente apareceram no século XIX no Império Inglês e nos EUA.

A Agência Ambiental Europeia (AAE) publicou um relatório sobre energias renováveis e as tendências de futuro para o tema na União Europeia. As premissas , tendências e principais desafios foram apontadas pelo Diretor Executivo da AAE na publicação:

Premissas:

  1. As pessoas precisam de fontes de energia confiáveis a um preço razoável
  2. As empresas precisam de fontes de energia confiáveis para continuar produzindo
  3. Os combustíveis fósseis não podem ser predominantes, em função das externalidades negativas geradas, tais como os poluentes e as emissões de gases de efeito estufa

Tendências:

  1. Uso de carros elétricos
  2. Uso da energia elétrica de fonte solar
  3. Eficiência em edifícios para otimizar o uso da energia
  4. Design para estender o ciclo de vida de produtos, promovendo o reuso e reciclagem

Desafios

  1. Pesquisar e implementar alternativas para captar, acumular, transportar e conservar energia em larga escala
  2. Incentivar a geração descentralizada e desconcentrada
  3. Tornar as unidades habitacionais produtoras de energia por meio de smart grids, conectando redes e demais partes interessadas
  4. Aumentar a eficiência no uso de energia em veículos e edifícios
  5. Desenvolver uma rede de infraestrutura para suprir as demandas de energia pelos veículos

Hans Bruyninckx (o diretor executivo da EEA) reconhece que uma transição para os modelos está ocorrendo. Os agentes de mercado, empresas e consumidores, estão migrando para a produção de energia descentralizada e desconcentrada, alterando as configurações e poder de negociação das empresas geradoras e distribuidoras de energia e os consumidores.

A solução sugerida por ele e logicamente pela instituição que representa é trabalhar em direção a uma economia de baixo carbono e circular, com foco em renováveis, eficiência energética, segurança e preço adequados, apoiados por uma rede de investimentos em infraestrutura, novas habilidades e empregos e inovação.

Modelo de onde chegar até 2050 – EEA, 2017

A mudança proposta exige modelos de negócios focados em promover esta mudança. Sob o ponto de vista das finanças, mecanismos de captação de recursos e aplicação em eficiência energética, energias limpas, edifícios eficientes e automóveis elétricos, bem como toda a infraestrutura que envolve o tema, poderá causar um incremento na Economia Verde no subcontinente e servir como modelo no Brasil.

Para que sirva de modelo, no entanto, exigiria-se do Estado uma alteração no mindset, visto que esta transição causará impactos profundos na maneira pela qual captamos, acumulamos, transportamos e conservamos energia e na nossa relação de consumidores com as empresas de energia, tradicionalmente com muito poder de negociação junto ao governo e agências reguladoras e cujas receitas dependem também da manutenção do Business as usual.

De qualquer forma, é uma tendência de mercado que não tem volta. A geração descentralizada e desconcentrada, bem como a eficiência energética, são temas que são abordadas desde a China até os EUA, passando pela União Europeia e África. Apesar do paradigma Trump, os efeitos das mudanças climáticas não sumiram e a transição para uma economia circular, de baixo carbono, baseada em serviços e inovação é um driver global, com efeitos em todo o mundo. Podemos aprender bastante com tais iniciativas.

Para os interessados em gestão ambiental pública e sua interface com a gestão ambiental privada, sugiro inscrever-se no site da EEA e receber por correio os materiais publicados. Quando mais massa crítica para discutir o tema no Brasil, melhor.

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