Tendências para a Economia Circular para 2020 – material da GreenBiz.com

Tendências são temas estruturados que emergem do macroambiente com poder de afetar estratégias de governos, empresas e consumidores. Em geral utiliza-se o framework de análise de mercado denominado PESTAL – Político, Econômico, Social, Tecnológico, Ambiental e Legal – para identificar temas que podem afetar diretamente a entrada, a manutenção ou saída de determinados mercados ou alterar o comportamento de stakeholders.

Dentro do processo de inteligência as instituições (conceito mais abrangente do que somente empresas) tem que estar atentos às mudanças deste macroambiente para identificar os riscos e oportunidades inerentes à atividade. Uma das fontes de informação são os think-tanks, organizações que funcionam como laboratório de ideias, gabinetes estratégicos, centros de pensamento ou centros de reflexão com potencial para estruturar o futuro por meio da ação estratégica junto às empresas, governo e sociedade.

O Greenbiz.com é um destes think-tanks. Seu posicionamento é o fomento de iniciativas empresariais e governamentais em sustentabilidade visando direcionar investimentos e o mercado para processos produtivos mais eficientes e redução de riscos de disrupção da natureza devido à sobre-exploração de recursos naturais.

Este grupo lançou relatório recente sobre 6 tendências para economia circular que darão forma a 2020, no qual destacam tais tendências de mercado nos EUA e Europa com potencial para afetar o jeito pelo qual produzimos, consumimos, descartamos ou reciclamos os resultados de nosso consumo.

A primeira tendência refere-se às políticas públicas para a gestão da produção de resíduos. Há uma forte tendência de reforçar a responsabilidade estendida ao produtor, que pretende tornar o produtor de embalagens responsável pelo seu tratamento. Durante 2019 diversas empresas foram cobradas pela sociedade para gerir os resíduos do consumo, mesmo que implique em aumentar o preço do produto para incluir o custo de coletar, reciclar ou destinar adequadamente os resíduos pós consumo. Na Califórnia, estado usado como referência, há política, planos e metas para redução do uso de embalagens plásticas pós consumo em até 75% para 2030.

A segunda tendência é a colaboração para reuso de materiais e empacotamento. Esta tendência tem sido estudada pela Ecologia Industrial nos complexos eco-industriais, nos quais descartes de determinadas empresas tem sido usados como insumos produtivos por outras, aumentando a eficiência dos sistemas e a complexidade. O texto cita que a colaboração entre empresas e seus fornecedores tem sido crucial para endereçar adequadamente o desafio de fechamento de ciclos materiais, aumentando a produtividade e introduzindo de forma setorial a preocupação ambiental das empresas envolvidas nas indústrias de empacotamento e reciclagem de papel e plástico.

A terceira tendência é a utilização de refil pelas empresas. A sinalização de que o tema chegou para ficar e influenciar e modificar hábitos de consumo é a de que cada vez mais as marcas conhecidas estão utilizando o modelo de refil para reduzir a quantidade de insumo utilizado no empacotamento. O relatório destaca as empresas de saúde e limpeza e as novas maneiras de induzir o consumo de menos material, usando inclusive o sistema de take-back, onde o consumidor que recicla o seu material é compensado monetariamente por mecanismos de Radio Frequency Identity (RFID), quando ele usa refil ao invés de comprar nova embalagem.

A quarta tendência é a reciclagem de químicos em escala comercial, destacando as pesquisas das indústrias para recuperação de produtos químicos potencialmente danosos à saúde e ao ambiente. As empresas tem se reunido em clusters produtivos para reduzir o descarte e maximizar a vida útil das embalagens.

A quinta tendência é a responsabilização da indústria da moda pelo resíduo gerado, com o fomento de novas visões sobre a moda e o consumo “descartável”. A questão da extensão do ciclo de vida de produtos entra definitivamente na forma como a sociedade escolhe sua cesta de consumo. Um exemplo claro é a linha de roupas da adidas que é feita com redes de pesca descartadas, que criou uma nova cadeia produtiva e fonte de recursos para os pescadores em nível global, com vistas a introduzir o conceito de materiais infinitamente reutilizáveis, e a extensão de ciclo de vida de produto pelo aluguel de roupas e pela coleta de roupas que não são mais utilizadas pelos consumidores.

A sexta tendência é a estruturação de ações para retirar produtos tóxicos do sistema produtivo. Esta tendência considera tanto os produtos tóxicos que são produzidos hoje quanto o passivo já gerado e acumulado na sociedade. Pesquisas tem demonstrado que há acúmulo de produtos químicos em toda a cadeia produtiva e os poluidores orgânicos persistentes estão espalhados em diversos produtos do nosso dia a dia, desde as embalagens de comida até brinquedos de crianças. Este é um dos indicadores que aparecem numa avaliação de ciclo de vida e que ainda não foram incorporados como preocupação ambiental no mesmo nível das mudanças climáticas, porém com efeitos devastadores sobre a saúde também.

As tendências geram ações. Tais ações se materializam em termos de regulação estatal, autorregulação pelas associações de empresas, pressão de consumidores conscientes sobre processos produtivos com alto potencial de gerar dano para a sociedade. Apesar do think tank estar sediado nos EUA, onde os movimentos da sociedade civil são mais fortes e atuantes sobre a atuação do parlamento americano, tais tendências poderão irradiar para o Brasil, que está ainda nas franjas de tais preocupações. O que nos dá certa perspectiva positiva é que há movimentação e pressão para adoção de padrões mais eficientes e menos impactantes de gestão ambiental que vão desde a extração até o descarte e reaproveitamento em novos ciclos produtivos.

O documento demonstra uma evolução na gestão ambiental pública e privada e aspectos de macroambiente que não podem passar despercebidos a quem acompanha a questão.

Sobre Marcio Gama

O cérebro é nossa maior especialização e nos faz humanos e complexos, capazes de pensar, gerir riscos e planejar o futuro. Nos adaptamos a todos os ambientes conhecidos e aprendemos a utilizar os recursos para nossa sobrevivência. Nesta caminhada, aprendemos a nos adaptar. Tentamos resolver os problemas que criamos e esta é a parte da nossa caminhada neste planeta, o único que temos. Sou Biólogo, Mestre em Planejamento e Gestão Ambiental e Especialista em Gerenciamento de Projetos e as análises que faço aqui refletem a minha visão sobre o tema, balizada em artigos científicos e informações de fonte fidedigna e relevantes. Espero que curtam os textos.
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