Dia do meio ambiente… Ja é tempo de avançar…

Dia internacional do meio ambiente… A julgar pelas propagandas das empresas nos jornais e revistas, vivemos no melhor dos mundos… todos tem acesso à água potável, saneamento básico universal, tratamento de resíduos sólidos, mobilidade urbana, prédios inteligentes, energias renováveis e todas as empresas são parceiras do desenvolvimento sustentável da sociedade brasileira… Só que não…
O autor Nassim Nicholas Kaleb afirma em seu livro “Antifragile…” que se as empresas fossem tudo isso que afirmam em suas peças de marketing, não necessitariam investir tanto em comunicação para falar o quão boas são. Concordo plenamente. Imaginem, por exemplo, que as empresas fossem obrigadas por lei a reciclar as embalagens que produzem para colocar seus produtos no mercado. Seria racional, seria lógico. Eu, consumidor, compro o produto, não a embalagem.
Quem deveria estar nos aterros sanitários coletando e reciclando lixo não são os indivíduos mais desfavorecidos da sociedade, mas as empresas que efetivamente produzem os impactos com suas embalagens de longo ciclo de vida. Vamos analisar, por exemplo, a destinação dada às lâmpadas fluorescentes, pilhas e resíduos eletrônicos. Alguém já se perguntou para onde são levados estes resíduos? Para onde os postos de coleta os destinam? Será que são reciclados? Quem está pagando por isso? Quem está fiscalizando? Num país onde parte significativa da população não tem acesso à água potável (mas tem acesso aos estádios de futebol certificados pelo GBC Brasil), não tem acesso ao saneamento básico, não tem acesso à coleta de lixo diária, quem garante que os postos de recolhimento estão destinando os resíduos coletados à reciclagem?
Uma iniciativa interessante que há uma década tem sido sugerida é a responsabilidade estendida ao produtor, no âmbito da ecologia industrial. Ou seja, os produtores também são responsáveis por providenciar a reciclagem, financiando os custos da recolocação dos materiais nos ciclos produtivos. Trata-se evidentemente de uma tentativa de fechar os ciclos de materiais, encaminhando para a reciclagem e reaproveitamento os resíduos gerados no processo de consumo.
Como reagiriam as empresas e lobistas caso a responsabilidade estendida ao produtor fosse adotada no Brasil? Tenho sérias desconfianças de que seriam investidos mais recursos em lobby do que em melhoria de processos, tendo em vista o histórico da relevância do assunto para as políticas públicas em meio ambiente adotadas no país. Seria criado mais um fundo ambiental para recolher dinheiro para ser utilizado para compra de apoio político de prefeitos relutantes.
Acho importante que comemoremos o dia do meio ambiente, mas já é hora, aliás, já passou da hora, de deixarmos a maquiagem verde das grandes empresas e as campanhas publicitárias dos governos em suas esferas federal, estadual e municipal e partirmos para soluções efetivas para os problemas ambientais que afligem a população. Tratarmos de forma séria a gestão ambiental pública e privada e sairmos do simplismo das soluções rápidas, baratas e usualmente equivocadas. Temos que deixar de ser o país onde se investe mais em construção de imagem do que em soluções efetivas para melhoria da qualidade de vida, baseados em padrões de desempenho.

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