Debate interessante na Environmental Finance

Desinvestir em empresas que produzem aquecimento global tem sido discutido em fundos de pensão. A revista Environmental Finance de setembro/outubro/novembro de 2013 perguntou a dois gestores de fundos de pensão a opinião relativa a desinvestimento em empresas que produzem tais impactos e quais critérios seriam importantes para realizar a análise.

Jack Ehnes, CEO do fundo de pensão de professores da Califórnia, é responsável por investimentos de USD 170 bilhões, defende que, ao olhar para o longo prazo, há necessidade de previsibilidade no mercado. Cita como exemplo a mudança de postura da administração Obama em relação à do ex-presidente Bush e que mudanças abruptas no mercado não seriam bem percebidas pelos beneficiários do fundo.

Christine Meisingset, gestora de investimento sustentável na Storebrand, com USD 76 bilhões em investimento, defende as ações tomadas pelo fundo de exclusão de 13 empresas de carvão e 6 de petróleo que exploram petróleo de xisto. Segundo ela, é uma questão de tempo até que as políticas em relação às mudanças climáticas e regulamentos comecem a afetar a avaliação de empresas e os investidores institucionais precisam atentar para este fato.

Ambos citam o longo prazo para justificar tanto a decisão de desinvestimento ou manutenção da posição. Um ponto importante levantado por Christine refere-se na exclusão de empresas baseada em eventos pontuais relacionados a danos ambientais ou a exclusão baseada em análise de riscos ambientais setoriais.

Admite-se que o ranqueamento das empresas de energia seria realizado de acordo com a intensidade de carbono da produção de energia e que optaria-se pelo investimento em energia de gás natural, com menor intensidade de carbono.

É importante considerar que já há fundos de pensão internacionais considerando a intensidade de carbono na construção de seu portfólio de investimentos, apesar da iniciativa não aparecer de forma comum no mercado. Uma possível evolução do mercado aponta para uma seletividade maior dos fundos de pensão na hora de investir. A questão do risco baseado nas crescentes evidências científicas sobre as mudanças climáticas e aquecimento global seguramente serão critérios de análise para investimento. 

Na minha opinião, pode haver perda de valor de empresas petrolíferas, especialmente aquelas que produzem combustíveis com base em fósseis e aquelas que exploram petróleo em ambientes mais arriscados.

Sobre Marcio Gama

O cérebro é nossa maior especialização e nos faz humanos e complexos, capazes de pensar, gerir riscos e planejar o futuro. Nos adaptamos a todos os ambientes conhecidos e aprendemos a utilizar os recursos para nossa sobrevivência. Nesta caminhada, aprendemos a nos adaptar. Tentamos resolver os problemas que criamos e esta é a parte da nossa caminhada neste planeta, o único que temos. Sou Biólogo, Mestre em Planejamento e Gestão Ambiental e Especialista em Gerenciamento de Projetos e as análises que faço aqui refletem a minha visão sobre o tema, balizada em artigos científicos e informações de fonte fidedigna e relevantes. Espero que curtam os textos.
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