Publicação do Banco Mundial – Mudanças climáticas e escassez hídrica

O relatório “High and Dry: Climate Change, Water and the Economy” analisa os efeitos do crescimento da população, do incremento de renda e a expansão das cidades sobre a demanda por água em um ambiente onde os recursos hídricos estão cada vez mais escassos e com menor qualidade.

Water Scarcity

Fonte: Banco Mundial (2016)

A escassez da água se tornará ainda mais pronunciada considerando-se os impactos das mudanças climáticas e a alteração do ciclo hidrológico. Estimou-se que, continuando-se a considerar as tendências expostas no parágrafo 1, a escassez de água poderá causar perda de 6% do PIB nas regiões mais críticas do planeta em 2050, com impactos sobre a saúde pública, a produção de riqueza e a agricultura, alterando significativamente a capacidade de produção dos ecossistemas dos quais depende o sistema econômico para manter-se gerando retornos.

A insegurança hídrica causada pela mudança dos padrões atuais relativos ao ciclo hidrológico aumentaria o risco de conflitos, causaria o aumento no preço dos alimentos e estimular a migração, impactos observados quando há mudanças drásticas na disponibilidade de recursos.

De acordo com o relatório, a adoção de iniciativas em gestão de recursos hídricos promoveria uma redução do risco de estresse hídrico por meio de estratégias de adoção de tecnologias mais eficientes, adoção de incentivos econômicos para incremento do uso eficiente de água, investimentos em infraestrutura para suprimentos de água com maior qualidade e quantidade.

Tais estratégias devem estar bem relacionadas com a conservação de ecossistemas produtores de água e seriam iniciativas efetivas para diminuir o risco e aumentar a resiliência dos sistemas produtivos dos quais depende a espécie humana.

O relatório completo é fundamental para profissionais interessados em gestão ambiental pública e privada. Na gestão ambiental pública, a capacidade dos gestores em elaborar os planos de recursos hídricos e os planos de investimento em longo prazo, com a identificação de necessidades de levantamento de recursos e as tarifas a serem cobradas da população é uma habilidade a ser desenvolvida e implementada. Planos relacionados à gestão de recursos hídricos e gestão ambiental não devem estar submetidos aos sabores das ideologias. É efetivamente uma questão de vida ou morte.

Na gestão ambiental privada, as empresas devem estar atentas ao aumento da eficiência produtiva da água que entra em seus processos. À medida que a escassez se torna norma, mais investimentos serão necessários para aumentar a ecoeficiência nos seus processos produtivos. Este aumento da eficiência implica diretamente no investimento em desenvolvimento de tecnologias, no investimento em novos produtos e na participação ativa  e qualificada nas instâncias reguladoras da oferta e demanda de água.

Nossa legislação de recursos hídricos, especialmente a Política Nacional de Recursos Hídricos, estabelece que os Comitês de Bacias, órgãos de planejamento com participação social e responsáveis pelo planejamento de longo prazo, são estruturados com participação do Estado, dos Cidadãos e das Empresas. Sua ação é dada pelas Agências de Águas, que arrecada e destina os recursos arrecadados pelos empreendimentos localizados na bacia hidrográfica aos usos definidos e priorizados nos planos de bacia.

Há muito espaço para avançarmos na Gestão de Recursos Hídricos e na eficiência do uso, considerando o cenário apontado pelo relatório do Banco Mundial. Tem que se avançar, no entanto, na plena implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos.

A possibilidade de juntar-se as metas definidas pelo Brasil na COP 21 (iNDC) de recuperação de áreas degradadas dialoga diretamente com a recuperação dos ecossistemas de suporte ao ciclo hidrológico, com o resultado de aumento de disponibilidade hídrica em quantidade e qualidade adequadas.

Esta possibilidade, no entanto, depende diretamente da participação ativa da sociedade na construção dos Planos de Recursos Hídricos e na implementação adequada da Política Nacional de Recursos Hídricos. Esta implementação depende da sensibilidade dos gestores públicos e dos incentivos à sociedade para adoção de maior eficiência e de uma evolução constante dos mecanismos de gestão ambiental pública e privada.

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