Análise das políticas públicas de eficiência de uso de recursos na União Europeia

A Agência Ambiental Europeia (AAE) produz relatórios de gestão ambiental pública e privada de alta qualidade. Isso não é novidade, como podemos atestar neste link. O relatório n. 10/2016 trata da análise das iniciativas dos países-membros em eficiência no uso de recursos materiais.

O conceito que baliza a eficiência do uso de recursos materiais é o de Ecoeficiência: Produzir maior retorno econômico reduzindo o impacto ambiental das atividades econômicas e o desperdício de recursos, aumentar o reuso e a reciclagem e reduzir a pressão sobre os recursos naturais não renováveis.

A proposta do relatório é a de levantar informações sobre as políticas adotadas em eficiência no uso de recursos nos países e colocar os países da UE no caminho para uma economia circular.

Uma Economia Circular envolve conceitos de Ecologia Industrial, quando se planeja o desenvolvimento de produtos ecoeficientes desde o nascimento do conceito, com as premissas da reciclabilidade e do design para o ambiente (DfE), até a proposta de aproveitamento e reaproveitamento total de resíduos. Adicionalmente pode-se citar a proposta de desenvolvimento de complexos eco-industriais com resíduo zero, com integração da produção entre indústrias e redução de perdas de energia e materiais em processos.

As principais evidências de que as políticas da União Europeia estão desenvolvendo-se em direção à Economia Circular são as seguintes:

a. Institucionalização da questão, com a destinação de recursos humanos, técnicos e financeiros para tratar do tema nos Estados;

b. Integração de políticas de energia, materiais e resíduos;

c. Percepção da necessidade de focar em iniciativas de Ecodesign (DfE), novos modelos de negócios, ações sobre o comportamento do consumidor e incentivos para desenvolvimento científico.

A adoção dos conceitos de Ecologia Industrial  nas políticas da AAE demonstra que o pensamento científico subjacente à área de pesquisa entrou na ordem do dia nas políticas da União Europeia, transformando-se em estratégias e planos de ação tendo por meta induzir a circularidade dos processos econômicos. Estes conceitos passam a ser importantes para cidadãos, empresas e governos e viram parâmetros para avaliação da efetividade das ações propostas pelos países.

A adoção de metas concretas para mensurar a efetividade das ações em eficiência no uso de materiais, no entanto, ainda é um desafio reconhecido pela AAE, visto que os estados estão em diferentes estágios de evolução da política de gestão de recursos. Reconhece-se que o incremento da troca de experiências resulta em evolução mais rápida das políticas adotadas nos estados-membros.

Sobre Marcio Gama

O cérebro é nossa maior especialização e nos faz humanos e complexos, capazes de pensar, gerir riscos e planejar o futuro. Nos adaptamos a todos os ambientes conhecidos e aprendemos a utilizar os recursos para nossa sobrevivência. Nesta caminhada, aprendemos a nos adaptar. Tentamos resolver os problemas que criamos e esta é a parte da nossa caminhada neste planeta, o único que temos. Sou Biólogo, Mestre em Planejamento e Gestão Ambiental e Especialista em Gerenciamento de Projetos e as análises que faço aqui refletem a minha visão sobre o tema, balizada em artigos científicos e informações de fonte fidedigna e relevantes. Espero que curtam os textos.
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2 respostas para Análise das políticas públicas de eficiência de uso de recursos na União Europeia

  1. Júlio Campos disse:

    Como evitarmos que a ecoeficiência caia no paradoxo de Jevons?

    • Marcio Gama disse:

      Boa pergunta. A princípio a identidade IPAT (impacto-população-afluência-tecnologia) nos remete a uma situação do tipo catch 22, sem solução possível. Ganha eficiência, aumenta o consumo, aumenta o impacto. Estamos presos nesta situação. Algumas referências em Ecologia Industrial trabalham com a necessidade de aumentar a eficiência produtiva em 10 vezes, o que se costuma denominar de fator 10, porém analisando-se os fatores da identidade IPAT reforça-se o paradoxo de Jevons.

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