Arquivo da categoria: Relatório UNEP Towards a Green Economy

Nova emissão de green bonds da Apple – Economia circular tomando forma na Estratégia da Empresa

Após a emissão do primeiro green bond da Apple no valor de USD 1,5 bilhão a empresa vai ao mercado de novo para emitir novo título de dívida no valor de USD 1 bilhão.

O Green Bond tem por característica financiar projetos e processos sustentáveis de produção, com adicionalidades na eficiência produtiva e na ciclagem de materiais dos processos produtivos.

Os recursos captados serão investidos nas seguintes atividades:

  • Energias renováveis e sistemas de estocagem de energia, sinalizando que a empresa pode diversificar suas atividades e entrar no mercado de baterias;;
  • Green Buildings, objetivo de capítulo específico do relatório de Economia Verde da UNEP, cujos princípios sinalizam que os edifícios podem ser geradores de energia;
  • Novos designs para edifícios eficientes, relacionados ao tópico anterior;
  • Eficiência Energética, aumentando a eficiência ou o Retorno sobre Investimento em Energia (ROIE);
  • Melhoria na qualidade da água, da eficiência do uso e na conservação do recurso, creio que em virtude da crise hídrica da Califórnia;
  • Investimentos no fechamento dos ciclos de materiais em sua cadeia de suprimento, com o poder de negociação da Apple gerando novos processos produtivos limpos em seus fornecedores em todo o mundo;
  • e Eliminação do Uso de Substâncias Tóxicas, numa abordagem que reflete também a Substance Flow Assessment (SFA), técnica aplicada em Ecologia industrial para mapear o caminho de substâncias no ambiente.

Ao avaliar onde serão aplicados os recursos do Green Bond de USD 1 Bilhão identificamos elementos de Ecologia Industrial entrando diretamente na estratégia da Apple. Uma das maiores críticas associadas aos seus produtos é a falta de uma abordagem de ciclo de vida, sem o necessário take-back dos produtos descartados. Já na primeira emissão de Green Bonds a Apple utilizou o recurso para desenvolvimento de uma máquina para reciclar seus produtos em “fim” de ciclo de vida.

O livro Industrial Ecology, Policy Framework and Implementation, de Brad Allenby, já apontava em 1995 como os sistemas produtivos poderiam desenvolver-se até chegar à circularidade, ie., sistemas fechados sobre o ponto de vista do aproveitamento material com fluxo de energia externa ao sistema sustentando esta ciclagem.

No livro Taking Stock of Industrial Ecology observa-se que o campo científico da Ecologia Industrial tem se diferenciado e ramificado, usando várias das técnicas associadas à disciplina, tais como o metabolismo societário, a MFA, a SFA, a Avaliação de Ciclo de Vida, tendo por premissa que a Ecologia Industrial seria a ciência da sustentabilidade e que é possível atingir-se a circularidade material de processos usando apenas o input de energia externa ao sistema.

Reforça-se nas ações da Apple o uso da Ecologia Industrial na elaboração de estratégias de sustentabilidade específicas, com o conhecimento científico relacionado sendo utilizado e aplicado à área de finanças, com o potencial de gerar sinergias globais na gestão ambiental privada.

A acompanhar o desenvolvimento de novas ações.

Smart cities

As cidades inteligentes (tradução livre) são aquelas que conseguem um desempenho ótimo em seis diferentes dimensões: Economia limpa, mobilidade urbana, ambiente preservado e conservado, capital humano, qualidade de vida e governança eficiente.
A definição de uma smart city pode ser dada, portanto, para as cidades onde o investimento em capital humano e social, somados à infraestrutura em comunicação e transportes eficiente, alimentam o desenvolvimento sustentável de sua economia, gerando mais qualidade de vida e uma gestão adequada do meio ambiente, com processos de governança abertos ao controle da população.
Algumas empresas tem utilizado o conceito de “smart cities” para investir em sistemas que melhorem a eficiência das cidades.
Abaixo alguns links interessantes.
http://www.ibm.com/uk/smarterplanet
http://www.oracle.com/newsletters/information-indepth/public-sector/nov-09/smart.html
http://w1.siemens.com/innovation/de/publikationen/zeitschriften_pictures_of_the_future/PoF_Fruehjahr_2004/SmartCity.htm
Qual será a primeira empresa brasileira de grande porte a investir numa iniciativa assim? Algum banco se habilita? Tem tudo a ver com a Economia Verde e as propostas que virão da Rio+20.

Conclusões sobre o relatório…

Certa vez, ao apresentar um seminário, perguntei aos ouvintes quais as novidades das conclusões da Eco’92. Sinceramente observei que muito do que foi acordado foi simplesmente conteúdo aspiracional, muitas vezes filosófico, muitas vezes inaplicável com as atuais (à época) cabeças as quais chamam líderes.
De certa forma é verdade. É sim conteúdo apenas aspiracional, pois ao ler o relatório percebe-se que todas as soluções já existem, todos já sabem o que fazer e onde atacar… Onde, então, está o gargalo?
Na minha opinião, nos pressupostos das sociedades… Tais pressupostos ainda não mudaram. As empresas continuam a, para usar um jargão bem conhecido e utilizado como cláusula pétrea de suas políticas, apontar para o crescimento constante, gerando mais retorno para seus investidores. Este retorno é gerado com mais vendas, mais produção, mais consumo, mais prédios, mais fábricas, mais impacto, menos emprego, mais outsourcing…
Tornar os edifícios mais verdes, produzir com menos impacto, observar os limites da pesca, água e florestas, investir em energia renovável, gerenciar melhor os resíduos, transporte mais eficiente, turismo verde, cidades.. e por trás disso tudo o financiamento.
A receita de bolo tem sido implementada em diversos países desde a década de 1970, quando se constrói a maioria das legislações sobre meio ambiente. Há sucessos evidentes, como a Holanda ou o Japão, onde o meio ambiente é parte de todo e qualquer processo de planejamento.
Pode ser que sintamos que não se evolui na velocidade desejável no Brasil, quando comparamos as nossas estatísticas de venda de carros, consumo de energia, saneamento básico, gestão de resíduos sólidos ou desmatamento, mas creio que apontar os problemas já é uma evolução para um país acostumado a viver de marketing e esconder os problemas.
O principal ponto que gostaria de ressaltar em todo o relatório é a questão dos limites. Cada vez mais precisamos incorporar ao processo econômico a questão dos limites. Não há condições de continuar produzindo visando crescer indefinidamente, bem como não há como deixar de incluir os indivíduos tradicionalmente excluídos do processo econômico.
Em época de mudanças climáticas causadas pela emissão de carbono, por exemplo, não tem lógica falar de pré-sal como alternativa para geração de energia. É um contrasenso. As emissões continuarão aumentando, assim como o consumo de combustível fóssil, as obras de infraestrutura continuarão a consumir recursos. Aumentar a eficiência não parece ser suficiente.
Estamos com um grande abacaxi nas mãos e sem a menor possibilidade de descascá-lo… E ainda com uma grande crise econômica que provavelmente apontará para a solução tradicional de crescer, vender e consumir ainda mais.

Parte 3 – Apoiando a transição para uma economia verde global – Finanças

A despeito da atual crise financeira em todo o mundo, não se pode prescindir do sistema financeiro quando se fala em sustentabilidade. Este capítulo final do relatório fala disso.

1. O volume de recursos requerido para financiar a economia verde é estimado em 1 a 2,5% do PIB global por ano de 2010 a 2050. Pensemos na infraestrutura, energia, transporte, edifícios e em todas as áreas citadas neste relatório e teremos uma ideia do desafio.
2. As oportunidades para financiamento da economia verde referem-se ao mercado de capitais e o investimento em empresas sustentáveis, ao financiamento de iniciativas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, fundos de estímulo da recuperação da economia. Os fundos de pensão e companhias de seguros, que controlam cerca de 39 trilhões de dólares, podem exercer uma grande pressão adaptativa sobre as empresas e apoiar o nascimento desta nova economia verde.
3. A preocupação com a sustentabilidade em seus investimentos tem direcionado o sistema financeiro para investir em empresas cujas práticas de sustentabilidade estejam firmemente ancoradas na minimização de riscos ambientais, sociais e de governança.
4. As necessidades de abrir as informações sobre as empresas e relatar periodicamente as ações em prol da sustentabilidade pelas empresas estão aumentando a transparência das empresas e direcionando suas ações.
5. Há necessidade de ações claras em prol da regulamentação do sistema financeiro para que ele seja capaz de financiar a economia verde por meio de mecanismos de fomento.
6. As finanças públicas também devem considerar o investimento em áreas que direcionem à economia verde, privilegiando cadeias econômicas que olhem para o assunto da sustentabilidade global, nacional e local com base na pegada ecológica dos seus portifólios de investimento.

Mais uma vez, no capítulo final do relatório, as conclusões remetem à necessidade de financiamento da economia verde e da articulação de diversos atores sociais para promover adequamente esta mudança. Esta mudança já está ocorrendo rapidamente. Já existem bancos de nicho atuando somente no mercado verde nos EUA, existem bancos no Brasil de olho somente neste mercado verde e como capitalizar em suas estratégias e práticas a emergência da economia verde.

As áreas citadas neste relatório, por exemplo, já são financiadas por bancos. Para incluir sustentabilidade em suas carteiras, os Bancos podem agir como consultores de sustentabilidade para seus clientes, acelerando a implantação da economia verde.

Isso não é utopia. Já existem bancos que atuam desta maneira em todo o mundo, inclusive no Brasil.

Parte 3 – Apoiando a transição para a Economia Verde – Condições políticas

As políticas públicas tem um grande poder indutor para o estabelecimento de regras para a produção e consumo. Esta parte do relatório refere-se às necessidades de mecanismos indutores por meio de instrumentos econômicos. São os seguintes os pontos enfatizados:
1. O uso das compras públicas e incentivos serviriam como gatilho para iniciar a transição para a economia verde. Investimentos públicos em infraestrutura e serviços públicos com características sustentáveis podem mobilizar o financiamento privado também.
2. Instrumentos econômicos e impostos verdes podem estimular o investimento verde e a inovação. Muitos dos atuais setores econômicos produzem poluição, impactos sobre a saúde e perda de produtividade não refletidos no valor dos produtos. Ao internalizar o custo das externalidades ambientais no preço dos produtos o mercado refletirá com mais exatidão o custo dos produtos. Pagamentos por serviços ecossistêmicos – sequetro de carbono, proteção de bacias hidrográficas, manutenção da biodiversidade e beleza cênica influenciam a valoração do uso alternativo da terra e representam oportunidades de negócios relacionados aos serviços ambientais.
3. O gasto governamental em consumo de capital natural por meio de subsídios perversos estimula a ineficiência econômica, a geração de resíduos e o uso excessivo, resultando em escassez de recursos finitos ou na degradação de recursos renováveis e ecossistemas. Por meio destes subsídios perversos, o valor da degradação não é percebido pela sociedade e a geração de valor em cadeias econômicas subsidiadas pode na verdade estar resultando em comprometimento das condições de produção e consumo em médio e longo prazos.
4. A definição de políticas de incentivo são importantes para fomentar a economia verde. Tão importantes quanto as políticas, são os investimentos em mecanismos de fiscalização e na criação de padrões mínimos para a realização de atividades econômicas. A criação de padrões é importante para fomentar a inovação e a eficiência e para promover a criação de um mercado para bens e serviços relacionados à sustentabilidade.
5. Treinamento e institucionalização são necessários para a transição para a economia verde, bem como a troca de experiência e informações entre os diversos públicos dispostos a investir na transição
6. Governança global para a economia verde para auxiliar os demais Estados nacionais a promovê-la por meio de acordos multilaterais.

Muitos dos itens aqui descritos já ocorrem, porém para uma economia verde estabelecer-se e criar um mercado forte o suficiente há necessidade de um engajamento global do qual não existe nem sinal. As negociações em torno de um próximo compromisso sobre a redução de emissões, por exemplo, ocorre com diversas posições conflitantes entre países desenvolvidos e em desenvolvimento com relação às metas, por exemplo.

Apesar do forte conteúdo aspiracional, há iniciativas acontecendo em todo o mundo, em institutos de pesquisa e governos que abraçaram a sustentabilidade como política de Estado. Farei alguns posts sobre este assunto depois.

Conclusões da segunda parte do relatório “Towards a Green Economy”

A questão da sustentabilidade precisa ser resolvida dentro das cidades e no sistema industrial também. A mobilidade sustentável, a gestão de resíduos sólidos, de emissões de gases, de efluentes líquidos precisa ser equacionada se as sociedades desejam que as cidades se tornem centros de qualidade de vida superior também.
O uso não sustentável de recursos e do consumo de energia, emissões de carbono, poluição e os problemas na saúde pública.
Ao tempo que representam o local das maiores oportunidades de trabalho, as cidades precisam melhorar seus processos internos. Esverdear a economia e os processos de gestão das cidades envolve pensar de forma integrada as soluções. Como se deslocar, como gerar oportunidades, como reduzir o despedício de recursos, como melhorar a qualidade de vida.
Não há solução única para os problemas, tendo em vista que cada cidade é única também. Inicia-se pelo planejamento urbano, pelo planejamento territorial, relaciona-se com as políticas públicas, os instrumentos regulatórios e os incentivos econômicos, bem como as regulamentações visando tornar o espaço público mais sustentável.
Boas iniciativas parecem pipocar em todo o mundo. Por exemplo em San Francisco, onde tornou-se um diferencial da cidade investir na economia verde. Redes de supermercados como a Whole Foods, áreas produtoras de vinhos sem agrotóxicos, Roupas produzidas com algodão orgânico, deslocamentos sustentáveis por metrô, bondes ou à pé, hotéis certificados pelo LEED – Leadership in Environmental and Energy Design, Cafeterias fornecendo apenas alimentos orgânicos, cafés produzidos de forma sustentável, complexos ecoindustriais com emissão zero e reaproveitamento total de resíduos. Isso não é sonho, já existe em diversos locais no mundo.
É possível melhorar já as condições de vida das pessoas e das cidades apenas com a aplicação de tecnologias já existentes e com os incentivos econômicos colocados de forma mais eficiente.

Parte 2 – Investimento em Energia Renovável e Eficiência no Uso de Recursos – Cidades

O capítulo “Cidades” é especialmente importante. Uma população crescentemente urbana, demandante de bens e serviços fornecidos pelas cidades, com afluência crescente, terá cada vez mais necessidade de melhorar seus processos internos que garantem a sobrevivência deste organismo econômico e social.
Os principais pontos enfatizados são os seguintes:
1. O desenvolvimento urbano deverá ser grandemente melhorado, pois ao tempo que 50% dos habitantes do planeta vivem em cidades, de 60 a 80% do consumo de energia ocorre nas cidades, bem como 75% das emissões. A rápida urbanização exerce pressão sobre os suprimentos de água potável, esgotos, o ambiente, a saúde pública, que afetam primeiramente os mais pobres. A urbanização também pode ser caracterizada pela periferização do desenvolvimento, resultando em divisão social, emissões de carbono, demandas de energia e pressão sobre os ecossistemas.
2. As oportunidades para redução de impactos e adoção de uma economia verde repousam na melhoria dos processo de gestão relacionados à redução das emissões de carbono e poluição, melhoria da qualidade dos ecossistemas, minimização de riscos ambientais. A melhoria de sistemas de transportes, a construção de edifícios mais sustentáveis, sistemas de uso de água e gerenciamento de resíduos devem ser planejados para reduzir o impacto do uso de recursos e de energia.
3. As cidades verdes combinam alto potencial de inovoação e produtividade com custos mais baixos e impacto ambiental reduzido. Altas densidades são uma característica central das cidades verdes, com ganhos de eficiência e produtividade causados pela proximidade entre as empresas e atividades econômicas, enquanto reduzem o uso de recursos e consumo de energia. A infraestrutura urbana inclui estradas, ferrovias, água e saneamento ambiental a menores custos devido ao adensamento. A congestão urbana relacionada à densidade e os custos econômicos associados podem ser reduzidos por meio de tarifas e transporte público.
4. As cidades são importantíssimas para a economia verde. A proximidade, densidade e variedade intrínseca às cidades estimulam a inovação. As indústrias verdes precisam do transporte público, da energia, instalação e reparos e as cidades desenvolverão indústrias verdes baseadas em alta tecnologia próximas aos centros urbanos.
5. A melhoria do transporte público, a melhoria de acesso aos serviços públicos, combustíveis limpos e geração de energia limpa reduzem o tempo despendido nos deslocamentos e melhoram a qualidade de vida e de saúde das populações.
6. Diversos atores sociais devem participar da gestão das cidades, melhorando os feedbacks informacionais e construindo soluções consensuadas, resultando em um plano estratégico de longo prazo para cidades e territórios urbanos.
7. As soluções para os problemas das cidades devem ser específicas para cada situação. Cada cidade é unica. O contexto de seu planejamento, legislação, informação e financiamento para direcionar a economia precisam de uma abordagem com múltiplos atores.

Parte 2 – Investimento em Energia Renovável e Eficiência no Uso de Recursos – Turismo

O capítulo sobre turismo traz novidades interessantes, que vem sendo estudadas nos últimos 20 anos.
1. O turismo tem um alto potencial como direcionador do crescimento nos próximos anos. Representa 5% do GDP mundial e 6 a 7% dos empregos totais. Quarta maior cadeia produtiva global, atrás de combustíveis, químicos e automóveis, com um valor de 1 trilhão de dólares sendo gerados por ano e 936 milhões de turistas internacionais.
2. O desenvolvimento do turismo também representa desafios para a gestão ambiental. O rápido crescimento nas viagens domésticas e internacionais, as tendências de se viajar mais longe e por menos tempo e a preferência dada aos meios de transporte mais intensivos em energia aumentam a dependência da cadeia produtiva de combustíveis não renováveis. O turismo responde por 5% do total de emissões e pelo consumo excessivo de recursos hídricos, gestão inadequada de resíduos e esgotos, danos aos ecossistemas terrestres e marinhos e à cultural local.
3. O turismo verde pode criar novos empregos e reduzir a pobreza. O setor é intensivo em recursos humanos e emprega direta ou indiretamente 8% da população global. Tornar o setor verde envolve investir em eficiência no uso de energia, água e tratamento de resíduos e gerar empregos locais de qualidade, que envolvem mais qualificação e portanto mais salário.
4. O desenvolvimento do turismo precisa ser elaborado para dar suporte à economia local e reduzir a pobreza. O aumento do movimento de turismo pode significar para a economia local, a redução da pobreza, o suprimeot local de produtos, trabalho e serviços ligados ao turismo e aos serviços verdes em energia e eficiência.
5. Investimentos no turismo verde podem reduzir o custo da energia, água e resíduos e atribuir maior valor à biodiversidade, ecossistemas, e herança cultural. Investimentos em eficiência energética geram retornos com payback curto. A melhoria do tratamento de resíduos poupa recursos, cria empregos e melhora a atratividade dos destinos. O investimento em conservação e restauração é de pequeno volume em relação aos serviços ecológicos prestados por florestas, mangues e zonas costeiras. O investimento em herança cultural está dentre os mais rentáveis e que mais retornos trazem às áreas turísticas.
6. Há demanda por turismo verde, com um terço dos turistas demandando por turismo mais ambientalmente amigável e com disposição a pagar por experiências do tipo. Ecoturismo, natureza, herança cultural e turismo de aventura sinalizam um rápido crescimento nas próximas duas décadas.
7. Pequenas empresas precisam mobilizar-se para dar suporte ao turismo verde. A adoção de critérios internacionalmente aceitos sobre turismo sustentável pode resultar em mobilização de investimentos nas empresas locais.
8. Há necessidade de mais investimento no turismo verde, com potenciais economicos para pequenas e microempresas. O maior fator limitante para a migração da indústria é a o financiamento, que precisa adotar sistema de incentivos para a adoção do turismo verde.
9. Há necessidade de planejamento e estratégias de desenvolvimento para envolver os governos no desenvolvimento da indústria verde. Ministérios ou secretarias de ambiente, energia, trabalho, agricultura, transporte, saúde, finança, segurança e outras áreas relevantes. As legislações ambientais, trabalhistas, padrões de agricultura devem ser analisados sob o ponto de vista da energia, emissões, água, resíduos e saneamento ambiental.
10. Investimentos públicos e políticas podem estimular os investidores privados em fomentar a indústria do turismo verde. O gasto público em bens públicos, áreas protegidas, bens culturais, conservação de água, gestãod e resíduos, saneamento básico, transporte público, energia renovável pode reduzir o custo dos investimentos pelo setor privado. O uso de subsídios pode encorajar o investimento privado em tecnologias limpas, eficiência no uso de água e energia, conservação de biodiversidade, o fortalecimento das organizações e empresas locais.

Parte 2 – Investimento em Energia Renovável e Eficiência no Uso de Recursos – Mobilidade e Transporte

A mobilidade urbana e na movimentação de produtos é um tema extremamente importante e que impacta diretamente o dia a dia de bilhões de pessoas em todo o mundo. Os principais pontos ressaltados no Relatório da UNEP referem-se diretamente à racionalização do uso do transporte e do investimento em mais e mais eficiência no transporte, especialmente em grandes cidades.
Seguem os principais pontos:
1. Os padrões atuais de mobilidade, fortemente ancorados no uso de petróleo e óleo diesel, geram danos ambientais, sociais e econômicos e são altamente insustentáveis. Os transportes consomem mais de metade dos combustíveis fósseis líquidos e emitem um quarto dos gases de efeito estufa. Além disso, geram 80% da poluição nas áres urbanas, causam mais de 1,27 milhão de acidentes por ano e tráfego congestionado nas áreas urbanas. Adicione-se que os cenários mostram que haverá ainda mais crescimento da frota global.
2. Os custos para a sociedade crescerão com o aumento das frotas de automóveis. Estimativas mostram que a frota de veículos em todo o mundo aumentará de 800 milhões para 2 a 3 bilhões em 2050, com o crescimento ocorrendo mais em países em desenvolvimento. Também o movimento de transporte aéreo aumentará exponencialmente e as emissões relacionadas ao transporte marítimo aumentarão em 250%.
3. A estratégia de investimento para transformar o setor envolve a promoção do acesso ao invés da mobilidade, a mudança para tipos de transportes menos danosos ao ambiente e o aumento da eficiência de automóveis, especialmente aqueles com menor uso de carbono e poluição. Hidrovias, ferrovias e eficiência de motores serão cruciais para o aparecimento de uma política de transporte verde.
4. Investimento em transporte público e eficiência gera retornos econômicos excepcionais, com a redução em 70% das emissões de Gases de Efeito Estufa. Porém, tal redução somente seria possível com o investimento em infraestrutura e eficiência e redução do volume de veículos em estradas em aproximadamente 1/3 até 2050.
5. As condições para a mobilidade sustentável (ou verde) envolve medidas em políticas públicas, especialmente as relacionadas à gestão do uso da terra, com transporte de massa em corredores, regulação de combustíveis e veículos, informação aos consumidores e indústrias, subsídios para transporte público ao invés do transporte privado, adoção de tecnologias limpas para mobilidade, capacitação de órgãos responsáveis pela regulação da área de transportes em cooperação com outros setores.
Para mim, esta é um dos maiores desafios. Pensemos, por exemplo, nos cartéis de transportes públicos ineficientes. O governo teria de lutar bravamente para impor novos tipos de transportes limpos. Em Brasília, por exemplo, poderíamos ter um sistema de “trams” semelhantes ao de Amsterdam no Plano Piloto, com quatro rodoviárias para distribuição para as cidades satélites. Uma das faixas de cada eixinho e uma faixa de cada pista do monumental seriam utilizadas para tanto. Resolveríamos uma série de problemas. Fica a dica.

Parte 2 – Investimento em Energia Renovável e Eficiência no Uso de Recursos – Edificações

As cidades e seus balanços energéticos são importantíssimos para o conhecimento e enfrentamento das mudanças climáticas. Neste capítulo do relatório, são identificados seis tópicos que exigem atenção para a conversão da economia tradicional em economia verde.
São eles:
1. A pegada ecológica e de carbono das edificações é a que mais contribui para as mudanças climáticas como setor da economia. Um terço da energia produzida no mundo é usada em edificações. O setor da construção é responsável por aproximadamente um terço do consumo global de recursos, incluindo 12% da água e 40% do volume total de resíduos sólidos gerados no mundo.
2. A economia de energia em edificações, seja pela construção de edifícios verdes ou retrofitting de edifícios existentes pode resultar em economia de um terço no consumo de energia e na redução de emissões de gases de efeito estufa.
3. Utilizar princípios de construção verde pode ter impactos positivos sobre a saúde e a produtividade das pessoas, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida.
4. Os princípios de construção sustentável podem gerar empregos em diferentes tipos de atividades relacionadas à cadeia produtiva,
5. O crescimento da economia, principalmente em países emergentes, exige o consumo de materiais em quantidades absurdas.
6. Politicas públicas precisam ser elaboradas para financar a conversão para a economia ecológica e para aumentar a eficiênca do uso de energia e água.